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Renato Maurício Prado

Será que Luxemburgo e Tiago Nunes viram Atlético MG x Flamengo?

Divulgação/Atlético-MG
Imagem: Divulgação/Atlético-MG
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

10/08/2020 04h00

Não sei se Vanderlei Luxemburgo e Tiago Nunes viram a vitória do Atlético Mineiro sobre o Flamengo, num jogo eletrizante, no Maracanã. Tomara que a tenham assistido e se dado conta do futebol medíocre e antiquado que suas equipes praticam e do absurdo que disseram em suas respectivas entrevistas coletivas, pós decisão do Paulistinha.

Luxemburgo retomou aquele discurso patético de que "nós somos pentacampeões do mundo, ganhamos 11 títulos mundiais interclubes" etc. Segundo ele, "não é porque Jorge Jesus ganhou uma Libertadores que os treinadores brasileiros têm que mudar tudo por aqui". "O que interessa é levantar taça", enfatizou, lembrando que acabara de ganhar mais uma.

Pois é. Como se pode ver, pelo que tem jogado o Palmeiras e pelo que seu treinador insiste em dizer, engana-se quem acha que ele aprendeu algo ou está preocupado em se atualizar, em fazer a sua equipe praticar um futebol moderno, eficiente, ofensivo e, ao mesmo tempo, encantador.

Porque foi isso que o português fez no Flamengo, onde não ganhou apenas uma Libertadores, mas também um Brasileiro, uma Recopa Sul-Americana, uma Supercopa do Brasil e um Carioquinha. Já o último título relevante de Vanderlei foi o Brasileiro, pelo Santos, em 2004. Há 16 anos...

Negar a revolução tática que Jorge Jesus e Jorge Sampaoli trouxeram para o futebol brasileiro vai além da arrogância e da miopia. Beira a burrice. Por isso, é tão decepcionante acompanhar o trabalho de Tiago Nunes, no Corinthians. Além de não conseguir que o Timão pratique um futebol semelhante ao que o seu Athletico (com elenco inferior) jogava, se mostra conformado com feitos medíocres, como não ter tomado gols pós-pandemia, nem ter sido derrotado, embora perdesse o título.

É triste ver que como até aqueles jovens treinadores brasileiros que pareciam tão promissores, logo mergulham na mesmice e no pragmatismo ultrapassado de "fechar a casinha", pensando, acima de tudo, em não sofrer gols. Exatamente o oposto do que fizeram Flamengo e Atlético Mineiro, num belo duelo, cheio de alternativas táticas e chances de gol.

O Atlético Mineiro de Jorge Sampaoli mostrou, logo em sua estreia, que será mesmo protagonista no Brasileiro. Marcou o multicampeão Flamengo em seu próprio campo e o incomodou muito - principalmente no segundo tempo, quando já vencia por 1 a 0, graças a um lance de extrema infelicidade de Filipe Luís, desviando para a rede a bola cruzada por Arana, para uma área onde não havia nem sequer um atacante atleticano por perto.

Na etapa inicial, disputada em ritmo frenético, o Flamengo foi melhor e desperdiçou, pelo menos, seis chances claras de gols, com Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta (duas vezes) e Everton Ribeiro. O Atlético incomodou em contra-ataques e num deles Diego Alves teve que fazer um milagre, em chute de Savarino, após arrancada de Alan.

Após o intervalo, Sampaoli mexeu no time, abandonando o esquema de três zagueiros, aumentando a marcação sobre Gerson e pressionando ainda mais a saída de bola do Flamengo, que começou a ter enormes dificuldades para fazer a transição da defesa ao ataque.

Nessa etapa, o rubro-negro teve apenas uma grande oportunidade, num contra-ataque, mas Gabigol foi fominha (assim como Bruno Henrique também fora, na primeira etapa) e o gol não saiu. A dupla, normalmente, tão letal ficou devendo. Principalmente o centroavante, que parece pesado e não ganhou praticamente nenhuma jogada no ataque.

Sampaoli saiu assim, com méritos, vencedor no primeiro grande jogo do campeonato e Domènec Torrent, o Dome, teve uma estreia infeliz, sofrendo uma derrota logo em sua estreia no Maracanã - algo que Jorge Jesus não conheceu em um ano à frente do Flamengo.

É injusto querer culpar o novo treinador rubro-negro pelo resultado, mas foi estranho vê-lo tirar todos os armadores de campo (Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Gerson) para empilhar atacantes à frente: no final, eram cinco: Gabigol, Bruno Henrique, Pedro, Michael e Vitinho.

Nas entrevistas pós-jogo, enquanto o argentino se gabava de ter encerrado o último campeonato vencendo o campeão e repetido o resultado agora, na rodada de abertura (que marra, hein?), o catalão se queixava, com razão, das muitas chances desperdiçadas por seu time no primeiro tempo.

É seu trabalho aperfeiçoar as finalizações, treinar alternativas para escapar da marcação pressão na saída de bola e também puxar as orelhas de Bruno Henrique e Gabigol, que desperdiçaram duas grandes oportunidades, simplesmente, porque um não quis passar a bola para o outro (o que faziam com enorme naturalidade e indisfarçável prazer até bem pouco tempo).

Restou, por fim, uma observação pertinente de Rafinha:

- Estamos sem ritmo de jogo. Ficamos 24 dias sem jogar.

É verdade. Reclame com o presidente Rodolfo Landim, que apressou tanto a volta do Carioquinha...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado