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Seleções de Fla, Vasco, Flu e Botafogo que vi

Antônio Gaudério/Folhapress
Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

23/04/2020 04h00

Nessa época de tantas reprises, por causa da pandemia, me peguei pensando em quais seriam os times ideais dos quatro grandes clubes do Rio, levando em consideração apenas os jogadores que vi em ação.

A primeira partida da qual tenho alguma lembrança é o Fla-Flu que decidiu o Campeonato Carioca de 1963. No colo do meu pai, nas antigas cadeiras azuis, eu era um dos 194.603 presentes ao Maracanã, sendo desses 177.020 pagantes. É o terceiro maior público da história do estádio e o maior já registrado em confrontos de clubes - os dois primeiros envolvem a seleção brasileira.

Do jogo em si, confesso, pouco recordo. Apenas de um chute de fora da área de Carlinhos, o Violino, que explodiu no peito do arqueiro tricolor Castilho, e da bola desperdiçada por Escurinho, no final da partida, chutando por cima da trave de Marcial - o arqueiro do Flamengo foi, aliás, o melhor jogador em campo e responsável direto pelo empate em 0 a 0 que deu o título ao rubro-negro.

Minhas memórias, na verdade, começam a ficar mais fortes a partir de 1966 e se tornam definitivas de 1968 pra frente, quando, ainda garoto, comecei a frequentar as arquibancadas do Maracanã sozinho. E a partir daí que farei as seleções de cada clube.

A ideia é ter como base o melhor time de cada um deles nos quarenta e dois anos que acompanhei e ir pescando nesse período os craques que mereciam reforça-lo. Por exemplo, o Flamengo de 1981. Quem pode entrar naquele onze de Raul a Lico? De cara, há os jogadores do timaço de Jesus. E ainda Romário, Bebeto, Petkovic e Adriano. E o diabo louro argentino Narciso Doval. E o batuta Silva...

Detalhe: nessa avaliação procurarei levar em conta sempre o que jogaram com a camisa rubro-negra. Por isso, toda uma geração (a mais brilhante pós-Zico) fica de fora: Marcelinho, Paulo Nunes e Djalminha, por exemplo, não chegaram a brilhar na Gávea como nos outros clubes para os quais se transferiram.

Então, vamos lá, eis a escalação dos melhores jogadores que vi em ação no Flamengo: Júlio César; Leandro, Reyes (fenomenal zagueiro paraguaio), Mozer e Júnior; Petkovic e Zico; Gabigol, Adriano, Romário e Bruno Henrique. Técnico: Jorge Jesus. Com o português, certamente, Pet e o Galo iam formar um meio-campo infernal, que dispensaria a presença de cabeça-de-área.

Dono do segundo melhor time carioca que vi em ação, o Botafogo é um caso curioso, porque após a máquina que conquistou o bi-bi em 1967/1968, nunca mais teve um timaço à altura de sua gloriosa história. Ainda assim dá pra reforçar um pouco aquele esquadrão dirigido por um iniciante (como técnico) Zagallo. A base é Manga, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir: Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César Caju.

Reforços possíveis: Jeferson, Gatito Fernandes, Carlos Alberto Torres, Wilson Gottardo, Gonçalves, Marinho Chagas, Mauro Galvão, Seedorf, Maurício, Loco Abreu e Túlio.

Arrisco, então, a seguinte escalação alvinegra: Manga, Carlos Alberto Torres, Mauro Galvão, Leônidas e Marinho Chagas; Gérson, Seedorf e Paulo César Caju; Jairzinho; Loco Abreu e Túlio. Técnico: Zagallo. Ficou forte, hein?

Vamos ao Fluminense. Apesar dos títulos brasileiros de 2010 e 2012, minha base é a maquina tricolor de Francisco Horta, em 1976. O time mais brilhante que vi com a camisa tricolor: Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Pintinho, Rivelino e Paulo César Caju; Gil, Doval e Dirceu.

Quem são os possíveis reforços? Fred, Deco, Thiago Silva, Flávio Minuano, Lula, Assis e Washington (o casal 20), Washington Coração Valente, Conca, Emerson Sheik, Romerito, Branco...

Eis a minha seleção tricolor: Paulo Victor; Carlos Alberto Torres, Thiago Silva, Edinho e Branco; Pintinho, Rivelino, Conca e Deco; Romerito e Fred. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

Por fim, o Vasco. A base é o elenco de 2000, quando disputou o Mundial e foi campeão brasileiro. Disparada a equipe cruz-maltina mais talentosa que vi em campo. Os melhores da temporada: Helton, Jorginho, Júnior Baiano, Mauro Galvão e Gilberto; Juninho Pernambucano, Juninho Paulista e Ramon; Felipe, Edmundo e Romário.

Reforços possíveis: Roberto Dinamite, Orlando Lelé, Andrada, Mazaropi, Marco Antônio, Donizete, Bebeto, Luisinho, Sorato, Mazinho, Pedrinho, Euler, Viola etc.

A seleção do Gigante da Colina, então, fica assim: Andrada, Jorginho, Júnior Baiano, Mauro Galvão e Marco Antônio; Luisinho, Juninho Pernambucano e Bebeto; Edmundo, Roberto Dinamite e Romário. Técnico: Antônio Lopes.

Que campeonato carioca infernal, disputariam esses quatro esquadrões, hein? Não concordou com o seu onze? Escale então o time dos sonhos do clube de seu coração. Em breve, me arrisco a fazer os paulistas.

Renato Maurício Prado