PUBLICIDADE
Topo

Mourinho merece uma suspensão

Ronny Hartmann / AFP
Imagem: Ronny Hartmann / AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

09/04/2020 04h00

A série "Timaços que me marcaram" será momentaneamente interrompida, por conta de assuntos quentes que pintaram nos esportes. O primeiro deles, confesso, me causou até indignação: não é que o "Special One", o outrora vitoriosíssimo treinador português José Mourinho, foi flagrado desrespeitando a quarenta e treinando jogadores do Tottenham, no parque Hadley Common, no subúrbio de Londres?

É o fim da picada! No momento em que o mundo enfrenta, com enorme dificuldade, os horrores de uma pandemia, uma personalidade de seu calibre dá um mau exemplo desses? A Inglaterra paga caríssimo o tempo que demorou a admitir a gravidade da situação e o próprio premier Boris Johnson sentiu na pele o tamanho de seu erro, contraindo o coronavírus e sendo obrigado a se internar numa UTI, para lutar pela vida.

Não é uma gripezinha, nunca foi. Já são mais de 1,5 milhões de contaminados e quase 90 mil mortes pelo planeta. Somente no Reino Unido, onde vivem Johnson e Mourinho, tem-se contabilizado mais de 900 óbitos diários! Como não levar à sério a necessidade do isolamento social. Como admitir uma irresponsabilidade dessas praticada por José Mourinho, que deveria ser um dos primeiros a dar o exemplo?

É verdade que, descoberto e questionado, o treinador já admitiu o erro e se desculpou. Mas acho muito pouco. Merecia uma bela multa e uma suspensão da Premier League. Ou um cartão vermelho do Tottenham.

Nada a dizer

Entrevistado diversas vezes, nas últimas semanas, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, pouco tem dito de útil. Nem poderia pois, apesar da enorme expectativa pelo retorno dos campeonatos, na verdade, não há nenhuma previsão plausível neste momento. O Brasil está longe de atingir o pico da epidemia, quanto mais do momento em que será possível vislumbrar uma situação segura para retomar a prática do velho e violento esporte bretão por aqui.

Dizer que os Estaduais serão finalizados e que o Brasileirão continuará em pontos corridos é futurologia barata. Bem como imaginar que os campeonatos poderão voltar com os portões fechados. Vão testar todos os jogadores? Todos os árbitros? Todas as comissões técnicas, médicos, massagistas, estafes de cada estádio, enfim, o mundo de gente necessário para que se realize uma partida de futebol? Soa extremamente irreal.

Apenas e tão somente quando surgir, de fato, uma luz no fim desse pavoroso túnel, será possível começar a fazer contas e projeções sobre o que se poderá fazer com o que sobrar do calendário de 2020.

Solução óbvia

Todo mundo perderá dinheiro com essa pandemia. Clubes, patrocinadores, TVs, torcedores e por aí vai. Por que os jogadores ficariam imunes aos prejuízos? É claro que, numa situação absolutamente imprevisível e desastrosa como essa, uma redução significativa dos salários se torna obrigatória. Se até um clube bancado por um bilionário, como o PSG, vai reduzir os ganhos de seus supercraques em 50%, por que os brasileiros não fariam o mesmo? Não adianta tugir, nem mugir. Todos têm que pagar uma parte da conta. E não há como fugir disso.

Coincidência?

Depois do adiamento dos Jogos Olímpicos, os números de mortes e casos confirmados de coronavírus não param de crescer no Japão...

Sugestões

Parei a série dos timaços que me marcaram na década de 80. Quem quiser sugerir grandes equipes a partir daí, estudarei com carinho. Será que suas emoções combinarão com as minhas? Deixem nos comentários suas sugestões. Até a próxima!

Renato Maurício Prado