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Renato Maurício Prado


Fla brilhante até a pilha acabar

Bruno Henrique comemora gol do Flamengo sobre o Fluminense na Taça Guanabara - Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique comemora gol do Flamengo sobre o Fluminense na Taça Guanabara Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

12/02/2020 23h45

Os primeiros 45 minutos do Flamengo, no Fla-Flu que decidiu o primeiro finalista da Taça Guanabara, beiraram a perfeição. Só não merecem nota 10 porque apesar do massacre sobre o adversário a vantagem obtida foi de apenas dois gols - e foram criadas pelo menos mais quatro oportunidades claríssimas que acabaram desperdiçada ou salvas pelo goleiro Muriel.

Depois do intervalo, embora tenha chegado ao terceiro gol, rapidamente, "faltaram pilhas", como bem disse Jorge Jesus. O time rubro-negro cansou e o Fluminense, valente e reorganizado, foi buscar uma reação impressionante e por pouco não chegou ao empate que lhe daria a vaga para a final (3 a 2).

No final das contas, o maior motivo de preocupação para a equipe de Jesus nem é o fôlego, que naturalmente virá com o correr dos jogos e dos treinos (essa foi apenas a terceira partida dos titulares no ano), mas o péssimo desempenho de sua zaga, no Fla-Flu formada pelos dois novos reforços para o setor. Léo Pereira e Gustavo Henrique erraram muito e por pouco não entregaram a vitória.

A volta de Rodrigo Caio deve ajudar a reequilibrar o setor, mas é evidente que Léo e Gustavo ainda precisarão de muitos treinamentos e partidas oficiais para se adaptar à maneira de jogar do Flamengo, na qual estão muitas vezes expostos, atuando avançados, praticamente no meio-campo, quando o time ataca.

Do lado tricolor, apesar da derrota e da desclassificação, o Fla-Flu trouxe algumas boas notícias. A primeira, Odair Helmann ter ousado enfrentar o seu poderoso adversário com apenas dois volantes - logo ele que, no Internacional, contra o mesmo Flamengo, chegou a usar quatro! E igualmente louvável foi a rearrumação que conseguiu fazer no intervalo, possibilitando um jogo muito mais eficiente no segundo tempo, quando foi superior ao campeão brasileiro e do continente.

A entrada do peruano Fernando Pacheco e mais uma boa atuação de Evanílson permite que se vislumbre uma dupla de ataque jovem e insinuante na temporada, com o inesgotável Nenê na armação e o esforçado Wellington Silva completando o trio ofensivo.

Mesmo sem um elenco estelar nas Laranjeiras, se estiver bem arrumado como nos 45 minutos finais do Fla-Flu, e souber usar bem os seus jovens, o Fluminense pode sonhar com uma temporada bem mais tranquila do que tem sido as últimas, quando não fez nada além de brigar contra o rebaixamento.

Renato Maurício Prado