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Renato Maurício Prado


Renato Maurício Prado: A bem-vinda invasão estrangeira

O venezuelano Rafael Dudamel é o novo técnico do Atlético-MG - Fernando Llano/AP Photo
O venezuelano Rafael Dudamel é o novo técnico do Atlético-MG Imagem: Fernando Llano/AP Photo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

06/01/2020 04h00

O Campeonato Brasileiro de 2020 pode ser o mais interessante dos últimos anos, graças à invasão de técnicos estrangeiros, incentivada pelo estrondoso sucesso de Jorge Jesus, no Flamengo, e pelo futebol insinuante adotado por Jorge Sampaoli, no Santos, vice-campeão nacional com um elenco bem mais pobre e com menos estrelas que o poderoso Palmeiras, que não ganhou absolutamente bulhufas na temporada, dirigido por dois medalhões daqui, Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes.

Reflexo disso, teremos, além de Jesus, no Flamengo, o também português Jesualdo Ferreira, no Santos; o argentino Eduardo Coudet, no Internacional e o venezuelano Rafael Dudamel, no Atlético Mineiro. Isso sem falar em Jorge Sampaoli, que continua por aqui, dizem, prioritariamente à espera de um possível interesse do Fla, caso Jesus resolva não renovar seu contrato.

Não creio que Jesualdo, Coudet e Dudamel tenham filosofias de jogo idênticas às do bem-sucedido treinador rubro-negro. E o ideal é que não seja assim - Sampaoli, por exemplo, também é um fervoroso adepto do futebol ofensivo, mas seus times não jogam exatamente como os de Jesus.

Não pode haver panorama mais enriquecedor para o nosso futebol do que conviver com táticas e estratégias díspares e, acima de tudo, inovadoras, para espantar de vez a mesmice que nos acostumamos a ver nos últimos anos em nossos gramados, onde a regra, quase geral, era a de, antes de mais nada, "proteger a casinha" e só depois se aventurar em ações ofensivas, normalmente abandonadas tão logo se obtenha uma vantagem mínima no placar. Sobremaneira quando se joga na casa do adversário.

Jesus, no Flamengo, Sampaoli, no Santos, Renato Gaúcho, no Grêmio e, justiça seja feita, Tiago Nunes, no Atlético Paranaense, subverteram tal ordem, com sucesso. Fernando Diniz, ora no São Paulo, também vem tentando surfar essa onda ofensiva, mas ao menos até agora sem êxito.

Para apimentar mais este próximo Brasileirão, teremos ainda, no rico Palmeiras, com um elenco forte, o comando de Vanderlei Luxemburgo, que já foi o treinador mais inovador do nosso futebol, mas que embora ainda detenha o recorde de conquistas no campeonato, com cinco títulos, há 15 anos não ganha nada realmente expressivo por aqui.

Resistente a mudanças, Luxemburgo não se cansa de repetir que não viu nada de inovador nos trabalhos de Jesus e Sampaoli. Insiste que tudo que "está aí", ele lançou "lá atrás", desde que começou a despontar como técnico, no Bragantino. Trata-se obviamente de um caso de narcisismo patológico que, somado a sua conhecida arrogância, já o ia condenando ao ostracismo até que o Vasco, em sua eterna luta para não cair, resgatou-o.

Dizem os seus fãs (e muitos amigos jornalistas) que ele fez um belo trabalho em São Januário. Eu diria que não fez mais que a obrigação - terminar em décimo-segundo lugar, com um time que tinha a décima-primeira folha de pagamento do torneio, convenhamos, está longe de ser uma façanha digna de foguetório.

- Ah, mas empatou com o Flamengo em 4 a 4, num jogo épico!

Ney Franco, do Goiás, fez o mesmo... Francamente!

Discussões bizarras à parte, a verdade é que Vanderlei terá, enfim, uma oportunidade real de mostrar se pode voltar a ser um treinador de ponta, com ideias atuais e ofensivas, como foi nos velhos tempos. Para isso, porém, precisará bem mais do que os seus velhos truques de discursos motivacionais inflamados no vestiário e apresentações de fraldas contrapondo faixas, na hora da decisão.

Jesus e Sampaoli costumam armar seus times e ganhar seus jogadores com estratégias e táticas avançadas e bem-definidas. Se Jesualdo, Coudet e Dudamel forem assim, nosso futebol só terá a ganhar.

Caberá, então, a Luxemburgo, se igualar a eles ou, fatalmente, se juntará a Scolari, Mano, Carille, Cuca, Marcelo Oliveira e vários outros que pararam no tempo e no espaço e, por isso mesmo, perderam o bonde da história e o lugar no mercado.

O Brasileirão e a Libertadores 2020 prometem!

Renato Maurício Prado