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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Boca planeja super time e quer disputar Cavani e Vidal com brasileiros

Arturo Vidal, que interessa ao Flamengo, também está na mira do Boca Juniors - Getty Images
Arturo Vidal, que interessa ao Flamengo, também está na mira do Boca Juniors Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

19/06/2022 04h00

Adversário do Corinthians nas oitavas de final da Copa Libertadores da América, o Boca Juniors tem planos de montar um super time para o segundo semestre. E esse projeto passa por impedir a vinda ao Brasil de dois astros do primeiro escalão do futebol sul-americano.

O ex-meia Juan Román Riquelme, que hoje ocupa o cargo de vice-presidente do clube argentino, afirmou em entrevista durante a semana passada que o meio-campista chileno Arturo Vidal e o centroavante uruguaio Edinson Cavani "nasceram para jogar" na Bombonera.

Os dois veteranos estão entre os atletas sul-americanos mais bem sucedidos na Europa ao longo da última década e vivem a expectativa de retornar para o lado de cá do Oceano Atlântico nos próximos meses.

Vidal, que já vestiu as camisas de Bayer Leverkusen, Juventus, Bayern de Munique e Barcelona, ainda tem mais um ano de contrato com a Inter de Milão. No entanto, há conversas avançadas para esse vínculo ser rescindido durante o atual verão europeu.

Já Cavani, o maior artilheiro da história do Paris Saint-Germain (200 gols) e que também teve uma passagem de sucesso pelo Napoli, foi dispensado pelo novo técnico do Manchester United, Erik ten Hag, que pediu que o contrato do uruguaio não fosse renovado.

Livres (ou quase) para buscar novos clubes no segundo semestre, as duas estrelas vêm sendo namoradas por equipes do Brasil, o país de futebol mais rico da América do Sul.

O Flamengo possui uma longa relação com Vidal, que inclusive já postou fotos vestindo a camisa rubro-negra e falou abertamente que um dia gostaria de defender o clube. Cavani, por outro lado, tem sido apontado como candidato a reforço de luxo de Botafogo e Corinthians.

Só que agora o Boca, um gigante sul-americano acostumado a repatriar jogadores que estavam na Europa, resolveu entrar na parada e disputar essas estrelas com as equipes brasileiras.

O projeto de Riquelme para ter Cavani e Vidal, no entanto, envolve uma pesada engenharia.

O primeiro é ter caixa para bancar os salários de atletas acostumados a ganhar verdadeiras fortunas na elite da elite europeia. Atualmente, o jogador mais bem pago do Boca é o atacante Darío Benedetto, que ganha 3,1 milhões de euros (R$ 16,8 milhões) por ano. Os dois candidatos a reforços xeneizes fatalmente querem romper esse teto.

Além disso, a equipe de Buenos Aires já conta com o limite de seis jogadores estrangeiros permitidos no futebol argentino. Ou seja, para contratar o meia chileno e o atacante uruguaio, seria preciso liberar dois atletas de outras nacionalidades nesta edição do Mercado da Bola.

Ainda que consiga resolver essas questões e fazer as contratações desejadas por Riquelme, é pouco provável que o Boca consiga escalar Cavani e Vidal já no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, contra o Corinthians, no dia 28.

Afinal, o contrato do centroavante uruguaio com o Manchester United só vence no fim do mês. Ou seja, ele terá de esperar o começo de julho para ser registrado em outra equipe. O caso de Vidal é um pouco mais simples. Como a janela de transferências na Argentina está aberta, basta que a Inter de Milão o libere a tempo de ser inscrito no torneio sul-americano.

O Boca é o segundo maior vencedor da história da Libertadores, com seis títulos (um a menos que o recordista Independiente). Mas sua última conquista foi 15 anos atrás, em 2007, quando derrotou o Grêmio na decisão.

Na atual temporada, o time comandado pelo técnico Sebastián Battaglia terminou na primeira colocação do Grupo E, com um ponto a mais que o Corinthians, vice-líder da chave que tinha ainda Deportivo Cali e Always Ready.