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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Tudo que já se sabe sobre a provável venda do Bahia para o Grupo City

O Bahia está prestes a ingressar na "família City" - Divulgação
O Bahia está prestes a ingressar na 'família City' Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

09/05/2022 04h00

As negociações para que o Bahia se torne o time brasileiro administrado pelo City Football Group, conglomerado dono do Manchester City e de outros nove clubes espalhados por quatro continentes, já estão na reta final.

A diretoria da equipe nordestina espera receber nos próximos dias o documento com a proposta oficial para venda de 90% da sua SAF (Sociedade Anônima do Futebol). A partir daí, submeterá a oferta ao Conselho Deliberativo e, posteriormente, à assembleia de sócios.

A empresa financiada com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos irá pagar R$ 650 milhões para comandar o departamento de futebol do Bahia.

Esse aporte financeiro será dado em três etapas. O primeiro pagamento (R$ 50 milhões) será feito logo no início da parceria, prevista para julho. Outros R$ 150 milhões serão investidos na virada do ano, caso o time consiga o acesso para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

O restante do valor (R$ 450 milhões) será dividido igualmente entre os anos de 2023 e 2024.

Vale ressaltar que essa quantia é relativa apenas ao que City terá de pagar pelas ações da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) cas. Os investimentos que o grupo fará com a chegada de jogadores e melhorias do elenco não entram na conta.

Também já está definido que, ao contrário do que aconteceu com outros times do conglomerado, como o Montevideo City (Uruguai) e o Melbourne City (Austrália), o Bahia não precisará mudar de nome e nem sofrerá drásticas mudanças na identidade visual.

Ou seja, não existe nenhuma possibilidade de ele ser rebatizado como Salvador City e de abdicar das cores vermelha e branca. O uniforme azul celeste, característico da empresa, pode até ser adotado em algumas partidas, mas sempre como opção às camisas já tradicionais, que continuarão sendo utilizadas.

O modelo será o mesmo adotado por Troyes (França) e Girona (Espanha), que, apesar de fazerem parte do rol dos investimentos do fundo árabe, mantiveram seus nomes, uniformes, cores e escudos originais. Ou seja, preservaram suas identidades próprias e apenas mudaram de administração depois que foram comprados.

O City Football Group existe desde 2013, mas seu embrião nasceu em 2008, quando o xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, integrante da família real de Abu Dhabi, comprou o Manchester City. Desde a aquisição, a equipe inglesa, que estava longe de ser uma das maiores potências do seu país, já faturou cinco títulos da Premier League e chegou uma vez à decisão da Liga dos Campeões da Europa.

Contando todos os times da empresa, já são 42 taças levantadas em oito países diferentes. Só o Lommel (Bélgica) e o Sichuan Jiuniu (China) não foram campeões de nada desde que entraram para a "família".

O conglomerado iniciou os estudos para a entrada no futebol brasileiro no começo de 2020, quando teve uma reunião com dirigentes do Londrina. No ano seguinte, a administração do fundo conversou com o Atlético-MG. Mas o escolhido para o negócio ser concretizado acabou mesmo sendo o Bahia.

Caso o City vire mesmo o acionista majoritário do clube de Salvador, ele será o primeiro conglomerado que dirige um time realmente acostumado a brigar por títulos no primeiro escalão da Europa a ingressar no mercado brasileiro.

Quem dirige o Botafogo é John Textor, que é acionista minoritário do Crystal Palace, equipe do meio de tabela da Inglaterra. Já o possível dono do Vasco é o fundo 777 Partners, que está prestes a oficializar a compra e também controla do Genoa, ameaçado de rebaixamento no Italiano. E o Cruzeiro está nas mãos do ex-atacante Ronaldo Fenômeno, proprietário do Valladolid, da segunda divisão espanhola.

Há ainda o caso do Red Bull Bragantino, que pertence à mesma empresa dona de Leipzig (Alemanha), Salzburg (Áustria) e New York (Estados Unidos). Apesar de suas equipes já terem feito várias campanhas expressivas até mesmo no cenário internacional, os troféus mais expressivos conquistados por elas foram do não tão expressivo assim Campeonato Austríaco.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado no texto, o Melbourne City é um time da Austrália, e não do Uruguai. O erro foi corrigido.