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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Ex-Corinthians diz que estádios com ar da Copa-2022 dão até "um friozinho"

Guilherme defende o Al-Sadd, time mais poderoso do futebol do Qatar - Divulgação
Guilherme defende o Al-Sadd, time mais poderoso do futebol do Qatar Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/01/2022 04h00

A Copa do Mundo-2022 será jogada no deserto do Qatar. E, mesmo deslocada para os meses de novembro e dezembro para fugir das temperaturas mais altas que assolam a região, deve receber jogos com os termômetros batendo 30 ou 35 graus Celsius.

Para tornar mais confortável a vida dos torcedores e jogadores, os estádios utilizados no torneio mais importante do calendário quadrienal de futebol estarão equipados com sistema de ar-condicionado.

A organização do Mundial promete que, mesmo em arenas abertas (ou seja, sem cobertura, o que torna o ambiente mais difícil de ser controlado), a refrigeração é capaz de reduzir a percepção de calor tanto nas arquibancadas quanto dentro de campo.

Mas, será que esses equipamentos são tão eficientes assim?

"Vou te falar: o ar-condicionado funciona mesmo. Dá até para sentir um friozinho. O estádio fica geladinho mesmo, com uns 18 ou 20 graus Celsius. É um absurdo. Mas, para o Qatar, dinheiro não é problema. Eles fazem tudo que podem para ter a melhor Copa possível", afirmou o volante Guilherme, do Al-Sadd, em entrevista por telefone ao "Blog do Rafael Reis".

Ex-jogador de Corinthians e Portuguesa, o brasileiro está no país-sede do próximo Mundial desde agosto de 2020 e já jogou em quatro dos oito estádios que serão utilizados na competição.

"Faz tempo que o Qatar está vivendo clima de Copa. A cidade inteira [Doha, capital do país] está tomada por relógios fazendo contagem regressiva e tem até um prédio que foi construído em formato de 2022", relatou o volante.

Com contrato até junho de 2023, Guilherme tem um atrativo a mais para permanecer no Al-Sadd pelo menos até a virada do ano: aproveitar que todas as arenas estão em um raio de 70 km para acompanhar o máximo do torneio que conseguir.

"Sabe como é o mundo do futebol, né? Mas, se eu estiver aqui, vou turistar um pouco, assistir aos jogos do Brasil e ir às partidas mais importantes. Tudo é tão pertinho, do lado de casa, não precisa ficar viajando. Então, dá para aproveitar bastante."

Antes disso, no entanto, Guilherme precisa defender o título nacional conquistado pelo Al-Sadd na temporada passada (lidera a competição com quatro pontos de vantagem para o Al-Duhail) e ajudar o time a se acostumar a não ter mais Xavi Hernández (hoje no Barcelona) como técnico.

"É claro que eu sabia que aqui era um grande clube, que brigava por títulos e tudo mais. Mas também aceitei vir para o Qatar por causa da possibilidade de trabalhar com ele. Com Xavi, aprendi coisas simples que todo meio-campista deveria saber, pontos de posicionamento, a hora certa de dar o passe", completa o brasileiro, que também já passou por Itália (Udinese), Espanha (La Coruña) e Grécia (Olympiacos).

Um total de 13 seleções já estão asseguradas na próxima Copa do Mundo. Além do Qatar, que conseguiu sua vaga por ser país-sede, Alemanha, Dinamarca, Brasil, França, Bélgica, Croácia, Espanha, Sérvia, Inglaterra, Suíça, Holanda e Argentina estão garantidos na competição.

Essa será a última edição do torneio da Fifa com o formato que vem sendo utilizado desde a França-1998. A partir do Mundial seguinte, organizado por Estados Unidos, Canadá e México, serão 48 participantes.

Uma nova mudança pode acontecer em breve. Apesar da rejeição das confederações europeia e sul-americana, a entidade que gerencia o futebol vem tentando emplacar uma proposta para realizar a Copa a cada dois anos.

Desde que foi criado, em 1930, o torneio é jogado com quatro anos de diferença de uma edição para a outra. A única exceção aconteceu no período da Segunda Guerra Mundial, quando houve uma pausa forçada de 12 anos sem que a bola rolasse.