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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Por que Paulo Sousa trocou chance de trabalhar na Copa-2022 pelo Flamengo?

Paulo Sousa não ficou nem um ano inteiro no comando da Polônia - Reprodução/@pzpn_pl
Paulo Sousa não ficou nem um ano inteiro no comando da Polônia Imagem: Reprodução/@pzpn_pl
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

28/12/2021 04h00

Paulo Sousa estava a duas vitórias de classificar a Polônia para o Qatar-2022 e assegurar participação na primeira Copa do Mundo da sua carreira como treinador. Mesmo assim, resolveu jogar seu trabalho à frente da seleção de Robert Lewandowski para o alto para dirigir o Flamengo.

Mas o que motivou o português de 51 anos a abdicar da possibilidade de realizar um dos seus maiores desejos profissionais para vir trabalhar na América do Sul e ficar distante dos holofotes do primeiro escalão do futebol mundial?

Apesar do conhecido desgaste da relação entre o ex-volante e o comando da Associação Polonesa de Futebol, o mais provável é que o dinheiro tenha sido o fator predominante que motivou a mudança.

Na seleção, Sousa tinha um salário bem modesto para os padrões do futebol europeu e recebia 840 mil euros por ano. Na prática, isso significava um faturamento mensal na casa de R$ 450 mil.

O Flamengo vai gastar bem mais do que isso com o substituto de Renato Gaúcho. A nova comissão técnica rubro-negra irá custar R$ 1,5 milhão por mês. Estima-se que pelo menos R$ 1 milhão irá os bolsos do treinador.

Os atritos com o presidente da APF, Cezary Kulesza, são apenas um agravante para o rompimento da relação. Sousa foi contratado pelo antigo comandante da entidade, Zbigniew Boniek, e não conta com a simpatia do atual mandatário por conta de divergências em métodos de trabalho e planejamento.

Apesar da relação conflituosa, o português tinha garantias contratuais de que continua no comando da Polônia no caso de classificação para o Mundial do próximo ano.

A seleção de Lewandowski foi a segunda colocada do Grupo I do qualificatório europeu (ficou atrás da Inglaterra) e irá disputar em março uma repescagem contra Rússia, Suécia e República Tcheca, que dará uma vaga para o Qatar-2022.

Ex-volante que venceu a Liga dos Campeões da Europa por Juventus (1995/96) e Borussia Dortmund (1996/97), Sousa disputou a Copa-2002 pela seleção portuguesa e se aposentou logo depois da competição. Como treinador, foi campeão israelense (Maccabi Tel Aviv) e suíço (Basel). Também ganhou copas na Hungria (Videoton).

Ele assumiu o comando da Polônia em janeiro e dirigiu a seleção durante apenas 15 partidas (seis vitórias, cinco empates e quatro derrotas). Na última Eurocopa, parou na primeira fase e não conseguiu vencer nenhum jogo (empatou com a Espanha e perdeu para Suécia e Eslováquia).

Escolhido pelo Flamengo depois de uma longa novela sobre um possível retorno de Jorge Jesus, o preferido da diretoria, que hoje comanda o Benfica, Sousa ainda precisa rescindir seu vínculo com os poloneses para ser anunciado.

Apesar dos desentendimentos com o treinador, Kulesza não aceitou liberá-lo gratuitamente e exigiu o pagamento da cláusula de quebra de contrato (equivalente a três salários) para permitir sua saída da seleção.

O primeiro compromisso do Fla em 2022 está previsto para o dia 26 de janeiro, data de início do Estadual do Rio. A partida contra a Portuguesa será jogada no estádio Luso-Brasileiro e deve ter um time bem alternativo em campo.

De acordo com o planejamento feito pela diretoria rubro-negra, os principais jogadores do elenco só devem começar a ser utilizados no clássico contra o Fluminense, pela quarta rodada, já em fevereiro.