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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que Gallardo provavelmente não será o próximo técnico do Flamengo?

Marcelo Gallardo é o nome preferido da torcida do Flamengo - Divulgação River Plate
Marcelo Gallardo é o nome preferido da torcida do Flamengo Imagem: Divulgação River Plate
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/12/2021 04h20

Assim que o Flamengo anunciou a demissão de Renato Gaúcho, na tarde da última segunda-feira, as redes sociais já se encheram de mensagens de torcedores do clube rubro-negro pedindo a contratação de Marcelo Gallardo.

O interesse não é de hoje e nem exclusividade do vice-campeão da Libertadores. Já faz um bom tempo que o treinador argentino que passou os últimos sete anos dirigindo o River Plate se tornou uma obsessão das maiores equipes do Brasil.

No entanto, é pouco provável que "El Muñeco" ("O Boneco", em tradução para o português) seja o próximo comandante do elenco flamenguista. Ou mesmo que trabalhe no país do futebol já em 2022.

O primeiro fator é que o técnico que faturou 13 taças desde 2014 (duas Libertadores e um recém-conquistado Campeonato Argentino) está fora da realidade financeira dos clubes brasileiros, até mesmo dos mais poderosos.

Gallardo solicitou um salário de US$ 6 milhões por temporada (R$ 33,6 milhões) para renovar com o River, mas isso porque possui uma ligação afetiva com o clube que o transformou no treinador mais badalado da América do Sul.

Quando foi procurado pela AUF (Associação Uruguaia de Futebol) para substituir Óscar Tabárez no comando da seleção de Luis Suárez e Edinson Cavani, a pedida subiu para US$ 7 milhões (R$ 39,2 milhões) a cada 12 meses.

Mesmo que o Flamengo esteja reservando um orçamento de R$ 30 milhões para arcar com o substituto de Renato Gaúcho (sem considerar os custos da nova comissão técnica), os valores ainda estão abaixo do desejado por Gallardo.

E, apesar de importante, a questão financeira nem é o maior dos entraves para trazer o argentino ao Brasil. Pessoas do entorno do treinador asseguram que sua prioridade é mesmo atravessar o Oceano Atlântico no próximo ano.

Depois de se tornar quase uma unanimidade nas Américas, Gallardo acredita que o próximo passo natural para sua carreira é se testar frente aos melhores técnicos e jogadores do mundo, em uma liga do primeiro escalão da Europa.

E o nome do argentino já circula com força entre os grandes clubes do Velho Continente. Antes da contratação de Xavi Hernández, o técnico do River chegou a ser citado pela imprensa catalã como um candidato real a assumir o Barcelona. O Paris Saint-Germain (onde ele jogou) é outro time da elite que acompanha sua trajetória.

Por isso, Gallardo sabe que, mais cedo ou mais tarde, acabará recebendo uma proposta interessante de alguma equipe europeia. E, para poder aceitá-la sem correr o risco de "queimar sua imagem" ou pagar uma alta multa rescisória, é importante ficar livre e disponível no Mercado da Bola.

Assim, comprometer-se com um clube brasileiro para a próxima temporada não parece ser das opções mais inteligentes neste momento.

Resta ao Flamengo (e também a outros possíveis interessados em contratá-lo) convencer Gallardo do contrário. Com dinheiro, é claro, mas principalmente com um projeto capaz de fazer com que ele adie por mais algum tempo sua ambição de tentar vencer também na Europa.