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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como "Verdão da Rússia" ajudou o Palmeiras a trazer Abel Ferreira ao Brasil

Abel Ferreira ganhou as duas últimas Libertadores no comando do Palmeiras - AFP
Abel Ferreira ganhou as duas últimas Libertadores no comando do Palmeiras Imagem: AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/12/2021 04h00

Vencedor das duas últimas edições da Copa Libertadores da América, o Palmeiras já transformou Abel Ferreira em um dos seus grandes ídolos. Só que essa história provavelmente não teria sido escrita se não fosse a ajudinha providencial de um clube russo que, curiosamente, também tem o verde como cor predominante.

No dia 30 de setembro do ano passado, o Krasnodar, time que havia sido o terceiro colocado do futebol da Rússia na temporada anterior, derrotou o PAOK por 2 a 1 (já havia vencido o jogo de ida pelo mesmo placar) e obteve a classificação inédita para a Liga dos Campeões da Europa.

Com isso, impediu também que a vaga na Champions fosse para a equipe grega, na época treinada pelo português que um mês depois acabaria dando uma grande reviravolta na sua carreira ao se transferir para o futebol brasileiro.

Depois da eliminação na última rodada da fase preliminar do torneio interclubes mais badalado do planeta, Abel dirigiu o PAOK em mais quatro partidas e não perdeu mais (venceu um jogo do Campeonato Grego e obteve um empate na liga nacional e dois na Liga Europa).

Ou seja, se não fosse a interferência do Krasnodar, Abel não teria motivos para trocar a Grécia pelo Palmeiras. Muito pelo contrário, ele teria realizado um dos maiores sonhos de qualquer treinador europeu (trabalhar na Champions) e não abdicaria disso para se aventurar do outro lado do Oceano Atlântico.

O PAOK foi o segundo clube da carreira de técnico do hoje bicampeão da Libertadores. Ele ficou na equipe alvinegra durante um ano e três meses. Foram 57 partidas disputadas, com 31 vitórias, 16 empates e dez derrotas, um aproveitamento de 63,7% dos pontos em jogo.

Com Abel, o time de Salônica foi vice-campeão grego (ficou 18 pontos atrás do Olympiacos) e chegou até as semifinais da Copa da Grécia em 2019/20. Na temporada seguinte, eliminou o Benfica (treinado por Jorge Jesus) na penúltima rodada das preliminares da Champions e ocupava a quarta colocação do campeonato nacional quando o treinador recebeu e aceitou o convite para migrar ao Palmeiras.

Após despachar o time do técnico português, o Krasnodar até que fez um certo estrago na Liga dos Campeões. Os russos conseguiram, por exemplo, um empate por 1 a 1 contra o Chelsea, que acabaria conquistando o título, e terminaram a fase de grupos na terceira colocação. Na Liga Europa, foram derrotados pelo Dínamo Zagreb já no primeiro mata-mata.

Abel está no Palmeiras desde novembro do ano passado e recentemente completou 100 jogos à frente do clube. Além das duas últimas Libertadores, ele também levou o time alviverde ao título da Copa do Brasil-2020.

Previsto originalmente para ser jogado no Japão, o Mundial de Clubes foi adiado e realocado depois que o Japão desistiu de organizá-lo por conta da pandemia da covid-19. Com isso, o torneio será disputado entre os dias 3 e 12 de fevereiro, nos Emirados Árabes Unidos.

Assim como aconteceu na competição de 2020 (que foi disputada em 2021), o Palmeiras irá estrear diretamente nas semifinais. Seu adversário sairá do confronto entre Al-Ahly, do Egito, e Monterrey, do México.

Da última vez que esteve no Mundial, há quase dez meses, a equipe de Abel Ferreira foi derrotada por um mexicano na semi (Tigres) e perdeu a disputa do terceiro lugar justamente para o Al-Ahly.

As oito edições mais recentes do torneio da Fifa foram vencidas pelos vencedores da Liga dos Campeões da Europa. A última vitória de um clube brasileiro (e também sul-americano) foi em 2012, quando o Corinthians derrotou o Chelsea. Coincidente, a equipe inglesa também será a representante do Velho Continente na competição do próximo ano.