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Rafael Reis

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com CR7 e Messi, janela de transferências 2021/22 já é a maior da história?

Cristiano Ronaldo comemora gol pelo Manchester United, seu antigo e novo time - Matthew Peters/Manchester United
Cristiano Ronaldo comemora gol pelo Manchester United, seu antigo e novo time Imagem: Matthew Peters/Manchester United
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/08/2021 16h40

Os dois maiores jogadores de futebol da última década estão de casa nova. Depois de Lionel Messi trocar o Barcelona pelo Paris Saint-Germain, chegou a vez de Cristiano Ronaldo deixar a Juventus de lado para retornar para o Manchester United, onde explodiu no cenário internacional.

As duas contratações têm proporção histórica, foram realizadas em um intervalo de menos de 20 dias e levantam a questão: seria a janela de transferências da temporada 2021/22 a mais impactante de todos os tempos?

Dar uma resposta precisa para essa pergunta não é nada simples. Afinal. Já houve muito mais dinheiro em jogo do que neste ano.

Duas temporadas atrás, o Mercado da Bola movimentou 7 bilhões de euros (R$ 42,9 bilhões), valor que jamais havia sido atingido e nunca mais foi repetido. Desta vez, prejudicado pelos efeitos econômicos da pandemia da covid-19, ainda não alcançamos nem a casa dos 4 bilhões de euros (R$ 24,5 bilhões).

Mas, deixando os valores um pouco de lado e se concentrando apenas no peso dos jogadores que mudaram de clube, talvez apenas os dois projetos "Galácticos" do Real Madrid tenham movimentado tanto o cenário do futebol quanto as transações deste ano.

No verão europeu de 2009, o clube espanhol contratou de uma tacada só os dois últimos vencedores do prêmio de melhor do mundo: Cristiano Ronaldo, craque de 2008 pelo United, Kaká, o dono da bola em 2007 pelo Milan.

Na mesma janela, ainda desembarcaram em Madri o centroavante francês Karim Benzema (ainda hoje figura essencial na equipe), o volante Xabi Alonso, o zagueiro Raúl Albiol e o lateral direito Álvaro Arbeloa.

Em um único ano, o Real gastou 258,5 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão, na cotação atual) em reforços, recorde mundial que demorou incríveis dez anos para ser superado... pelo próprio time merengue.

No começo dos anos 2000, os madrilenos já haviam transformado o cenário do Mercado da Bola global quando resolveram juntar o maior número possível de craques em um mesmo elenco. Só que, daquela vez, o processo não aconteceu do dia para noite e se espalhou por várias janelas.

Em 2000, o clube contratou Luís Figo. No ano seguinte, Zinédine Zidane. Depois da Copa-2002, foi a vez de Ronaldo se unir à trupe. E, em 2003, David Beckham completou uma constelação que também tinha Raúl e Roberto Carlos.

Devido às loucuras cometidas na primeira década deste século pelo clube mais vitorioso da história do futebol mundial, ainda não é possível decretar com um ar de unanimidade que a atual janela de transferências é mais peso pesado que a modalidade já viu.

Mas, é bom darmos uma ênfase nesse ainda. Afinal, tudo indica que o Real deve anunciar nas próximas horas a chegada do jovem astro francês Kylian Mbappé, o terceiro astro de primeira grandeza (daqueles com potencial para ganhar a Bola de Ouro) a mudar de time só neste mês.

Caso essa transferência realmente se confirme, será quase impossível discordar de quem colocar 2021/22 no topo do ranking dos grandes Mercados da Bola da história.