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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Como legado de Pia pode levar Suécia a 1º ouro olímpico no futebol feminino

Pia Sundhage dirigiu a seleção sueca entre 2012 e 2017 - Divulgação
Pia Sundhage dirigiu a seleção sueca entre 2012 e 2017 Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

05/08/2021 04h00

Pia Sundhage já se despediu do torneio olímpico de futebol feminino dos Jogos de Tóquio-2020 há quase uma semana. Mas a técnica da seleção brasileira ainda pode conquistar uma espécie de "medalha de ouro moral" no Japão.

Adversária do Canadá na decisão de hoje (a partir das 23h, no horário de Brasília), a Suécia ainda carrega muito do legado deixado pela treinadora que hoje comanda Marta, Debinha e cia.

Das 22 jogadoras convocadas pela equipe nórdica para a disputa desta edição da Olimpíada, mais da metade (12) trabalhou com Pia na seleção e nove fizeram parte do elenco que foi medalhista de prata na Rio-2016.

A goleira Hedvig Lindahl, a capitã Caroline Seger, a craque Kosovare Asslani e a artilheira Stina Blackstenius, que formam a espinha dorsal do time sueco, são heranças deixadas pela veterana técnica de 61 anos.

Pia nasceu na própria Suécia e, ainda como jogadora, fez parte da seleção que disputou as duas primeiras edições da Copa do Mundo feminina, em 1991 e 1995. Depois, construiu uma vitoriosa carreira de técnica e venceu duas Olimpíadas com os Estados Unidos.

Ela dirigiu seu país-natal entre 2012 e 2017. Foram 39 partidas disputadas no período, com 20 vitórias, oito empates e 11 derrotas. O ponto alto da campanha foi o vice-campeonato conquistado na Olimpíada passada.

Depois da Eurocopa-2017, Pia continuou trabalhando para a Associação Sueca de Futebol, mas na formação de novas jogadoras, à frente da seleção sub-17. Em 2019, aceitou convite para comandar o Brasil e trocou a Escandinávia pela América do Sul.

Seu sucessor no comando da Suécia é um homem, Peter Gerhardsson, que optou por aproveitar a base deixada por Pia e vem colhendo os frutos dessa decisão. Antes mesmo de chegar à final olímpica, ele já havia sido terceiro colocado na última Copa do Mundo, jogada há dois anos.

As duas finalistas de Tóquio-2020 já subiram ao pódio olímpico, mas ainda buscam o primeiro título. As suecas foram vice-campeões há cinco anos. Já as canadenses ficaram com o bronze nas duas últimas edições dos Jogos.

O futebol faz parte do programa da maior competição esportiva do planeta há mais de 120 anos, desde Paris-1900. No entanto, as mulheres só puderam estrear na modalidade quase um século mais tarde, em Atlanta-1996.

Desde então, o torneio feminino premiou apenas três países diferentes: os tetracampeões Estados Unidos (1996, 2004, 2008 e 2012), a Noruega (2000) e a Alemanha, última premiada com a medalha de ouro.

O Brasil, que foi eliminado nos pênaltis pelo Canadá nas quartas de final deste ano, tem duas medalhas, ambas de prata. Em 2004 e 2008, a seleção canarinho alcançou a decisão, mas perdeu para os Estados Unidos.

Já no masculino, o time da CBF tem sete pódios no currículo, é o atual campeão olímpico e pode conquistar o segundo ouro de sua história no sábado, contra a Espanha, em Yokohama, mesmo palco do pentacampeonato mundial de 2002.