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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Com só um "estrangeiro", rival do Brasil perdeu astros para seleção adulta

Alexis Vega é um dos 21 jogadores do México que atuam no próprio país - Dan Mullan/Getty Images
Alexis Vega é um dos 21 jogadores do México que atuam no próprio país Imagem: Dan Mullan/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

02/08/2021 04h00

O Brasil joga amanhã, a partir das 5h (de Brasília), no estádio Ibaraki, em Kashima, sua classificação para a decisão do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 contra uma seleção que é praticamente desconhecida da maioria dos olhos que acompanham a modalidade.

Apesar de o México já ter cativado há algum tempo um lugarzinho nos primeiros escalões da bola, seu elenco que viajou ao Japão é formado basicamente por atletas que ainda estão bem distantes desse grupo.

Enquanto a equipe brasileira conta com vários jogadores que atuam nas principais ligas nacionais do mundo (como os "ingleses" Richarlison, Douglas Luiz e Martinelli, o "alemão" Matheus Cunha e o "francês" Bruno Guimarães), seu adversário na semifinal praticamente não conta com nomes experimentados na elite.

Dos 22 convocados pelo técnico Jaime Lozano para a Olimpíada, apenas o camisa 10, Diego Laínez, do espanhol Betis, joga na Europa. Todos os outros atletas defendem atualmente clubes mexicanos.

Alguns deles, caso do veterano goleiro Guillermo Ochoa, que passou por Málaga, Granada, Ajaccio e Standard Liège, e do atacante Uriel Antuna, que teve uma passagem pelas categorias de base do Manchester City, até tiveram algumas experiências no Velho Continente, mas não conseguiram se firmar por lá.

Além de ter uma das ligas mais ricas da América, o que naturalmente já diminui as vendas para outros países, um outro fator explica por que o México conta com uma seleção olímpica formada quase que exclusivamente por jogadores que atuam no seu próprio país.

Como os Jogos Olímpicos coincidiram com a Copa Ouro, o principal torneio continental da Concacaf, Lozano só pode convocar para Tóquio-2020 quem não faz parte da seleção principal. Por isso, seus garotos de maior destaque, como o volante Edson Álvarez (Ajax) e o meia-atacante Efrain Álvarez (Los Angeles Galaxy), não foram chamados.

O mesmo vale para alguns veteranos experimentados no exterior que poderiam ocupar as vagas sem limite de idade, casos do meia Héctor Herrera (Atlético de Madrid) e do ponta Jesús Corona (Porto).

A semifinal de amanhã será uma reedição da final da Olimpíada de Londres. Nove anos atrás, o México bateu o Brasil por 2 a 1 e ficou com o título. Mas nenhum jogador envolvido naquela decisão irá a campo no encontro deste ano.

A seleção brasileira ainda está invicta nos Jogos de Tóquio. Com duas vitórias (4 a 2 sobre a Alemanha e um 3 a 1 contra a Arábia Saudita) e um empate (0 a 0 com a Costa do Marfim), terminou o Grupo D na liderança. Nas quartas de final, despachou o Egito por 1 a 0.

Os mexicanos, por outro lado, já sofreram uma derrota (2 a 1 frente ao Japão) na primeira fase. Mas derrotaram França (4 a 1) e África do Sul (3 a 0) para avançar na vice-liderança do Grupo A. Quando chegou a hora do mata-mata, fizeram um histórico 6 a 3 na Coreia do Sul.

O futebol faz parte do programa olímpico há mais de 120 anos, desde os Jogos de Paris-1900. Ao longo desse mais de um século de história, 19 seleções diferentes já conquistaram o ouro. Hungria e Reino Unido, com três títulos cada, são os maiores vencedores.

O Brasil só se juntou ao clube de campeões olímpicos cinco anos atrás, na Rio-2016, quando teve a chance de atuar em casa. Antes, já havia conseguido outras cinco medalhas no futebol masculino: três de prata (Los Angeles-1984, Seul-1988 e Londres-2012) e duas de bronze (Atlanta-1996 e Pequim-2008).

Desta vez, a final olímpica será disputada em 7 de agosto, em Yokohama, palco do pentacampeonato mundial conquistado em 2002. Um dia antes, o estádio Nacional de Tóquio recebe a decisão do torneio feminino.

Futebol masculino - Semifinais*

5h - México x Brasil (Estádio Ibaraki, em Kashima)
8h - Japão x Espanha (Estádio Saitama, em Saitama)

*horários no fuso de Brasília