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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Como Sterling foi de reserva do City a possível craque da Euro em 42 dias

Sterling tem sido o protagonista da Inglaterra na Eurocopa - Pool via REUTERS
Sterling tem sido o protagonista da Inglaterra na Eurocopa Imagem: Pool via REUTERS
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

10/07/2021 04h00

Quarenta e dois dias atrás, Raheem Sterling vislumbrou a possibilidade de ser campeão europeu. Só que o Manchester City não foi páreo para o Chelsea e falhou na tentativa de vencer pela primeira vez a Liga dos Campeões.

Amanhã, a partir das 16h (de Brasília), no estádio de Wembley, na cidade de Londres onde cresceu e passou a maior parte da vida, o atacante de 26 anos terá uma nova oportunidade de conquistar um título continental.

Só que, desta vez, o que estará em jogo é o troféu da Eurocopa, a "Champions" das seleções. E ao contrário do torneio de clubes, onde não passava de um reserva escalado como fator surpresa na final, Sterling chega à decisão contra a Itália no papel de protagonista e como forte candidato até ao posto de craque da competição.

Se não fosse seu camisa 10, a Inglaterra certamente não estaria na briga pelo título. O imigrante jamaicano fez todos os gols do "English Team" na primeira fase (dois), foi essencial nas oitavas de final contra a Alemanha e também na semifinal ante a Dinamarca.

Na vitória por 2 a 1 sobre os nórdicos, que valeu vaga na decisão, Sterling não balançou as redes e nem distribuiu nenhuma assistência. Mas teve participação decisiva nos dois lances que decidiram a classificação dos comandados de Gareth Southgate.

No primeiro gol, o zagueiro Simon Kjaer fez contra para evitar que o jogador do City empurrasse a bola para dentro da meta. Já o segundo tento, anotado na prorrogação, nasceu de um polêmico pênalti cavado pelo atacante depois de uma jogada individual.

O sucesso de Sterling na Eurocopa contrasta com uma das piores "temporadas regulares" da carreira do atacante.

Em 2020/2021, o jogador participou ativamente de apenas 26 gols pelo City (14 marcados por ele mesmo e 12 nascidos de assistências suas), seu desempenho mais baixo nos últimos cinco anos.

A queda de produtividade custou a Sterling a titularidade na equipe de Pep Guardiola. Das últimas seis partidas da Champions, o inglês só começou jogando em uma, justamente a decisão, quando o treinador catalão optou por escalá-lo para confundir o Chelsea, estratégia que não deu muito certo.

Mesmo com o protagonismo vestindo a camisa do English Team, Sterling dificilmente permanecerá em Manchester na próxima temporada. A diretoria do City já decidiu que o melhor é negociá-lo para permitir a chegada de novos nomes para o setor ofensivo da equipe, como Jack Grealish, reserva na seleção.

O destino mais provável do atacante é o Arsenal. O valor do negócio pode chegar à casa de 85 milhões de euros (R$ 530,7 milhões). De acordo com o "The Athletic", o Real Madrid também monitora a situação do jogador.

A decisão de amanhã é a primeira final continental da história da Inglaterra, que só tem um título relevante em toda sua existência, a Copa do Mundo de 1966. Já a tetracampeã mundial Itália ganhou a Euro em 1968 e foi duas vezes vice (2000 e 2012).

Originalmente, a Eurocopa era para ter sido disputada no meio do ano passado. No entanto, a pandemia da covid-19 fez com que ela fosse adiada em 12 meses.

A novidade desta edição é que não há uma sede fixa. Para comemorar os 60 anos do continental, a Uefa decidiu realizar a competição em 11 cidades espalhadas por 11 países diferentes (alguns que nem classificaram suas seleções).

Além da Inglaterra, sede de toda a reta final, a Euro-2020 (sim, ela manteve esse nome mesmo com o adiamento da data) também passou por Itália, Azerbaijão, Dinamarca, Alemanha, Escócia, Espanha, Hungria, Holanda, Romênia e Rússia.