Topo

Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Capitão da Alemanha em 2014 diz que 7 a 1 não é a maior vitória da história

02/06/2021 04h00

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

O nome de Philipp Lahm está gravado na história do futebol alemão. Sete anos atrás, foi ele o primeiro jogador a levantar o troféu do quarto (e mais recente) título de Copa do Mundo conquistado pela seleção germânica.

Apesar de ter participado da goleada por 7 a 1 aplicada sobre o Brasil, nas semifinais da competição de 2014, o ex-capitão da Alemanha e do Bayern de Munique não considera que sua geração obteve o maior feito da história da equipe tetracampeã mundial.

"Para mim, pessoalmente, foi um ótimo jogo, mas não tão decisivo assim", disse o ex-lateral, em entrevista exclusiva, sobre a partida que até hoje atormenta os brasileiros.

Para Lahm, a vitória de virada por 3 a 2 sobre a Hungria, na decisão da Copa-1954, que deu aos alemães o primeiro título mundial e ficou conhecida como "Milagre de Berna", é muito mais significativa que o 7 a 1.

Às vésperas do início da Eurocopa-2021, o ex-jogador falou com o "Blog do Rafael Reis" sobre as expectativas para a competição, o fim da "era Joachim Löw" no comando da Alemanha, o adeus de sua geração, a vida de aposentado e a fatídica partida do dia 8 de julho de 2014.

Confira a íntegra da entrevista com Philipp Lahm

Lahm - Thomas Eisenhuth/picture alliance via Getty Images - Thomas Eisenhuth/picture alliance via Getty Images
Philipp Lahm na vitória de 7 a 1 da Alemanha contra o Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014
Imagem: Thomas Eisenhuth/picture alliance via Getty Images

Lahm, você está aposentado há quatro anos. Parece pouco tempo, mas a gente sabe como no futebol as mudanças acontecem rapidamente. Nesse período em que você está parado, o que você já enxerga de mudanças no cenário do futebol?
Desde o fim da minha carreira até agora, eu diria que é o VAR. Isso não existia no meu tempo e, por isso, é o que acho que mais mudou.

Estamos prestes a ver o pontapé inicial da Eurocopa, a última competição da Alemanha sob comando do Joachim Löw, seu técnico no tetra. Qual é a sua expectativa para o desempenho da seleção no torneio?
O que todos queremos da seleção é que joguem um bom futebol novamente e tragam entusiasmo e sucesso. É isso que todos queremos. Um anúncio como esse da saída [do treinador] pode desencadear uma nova energia. Penso que todos os jogadores desejam a ele o melhor no pós-carreira. Isso significa que pode aparecer uma energia extra. É isso que todos esperamos.

Por que a Alemanha teve uma queda tão grande de rendimento nas últimas competições que disputou?
Tem muitas razões, mas eles lidaram com isso e precisamos seguir adiante. Jogadores experientes estão junto conosco, como Mats Hummels, Thomas Müller e Manuel Neuer. Eles vão chamar a responsabilidade novamente para termos sucesso no torneio.

Temos discutido muito nos últimos tempos a passagem de bastão da geração de Messi e Cristiano Ronaldo para a geração de Mbappé e Haaland. Acredita que esses novos protagonistas do futebol mundial podem ser tão bons quanto os antigos?
Acho muito, muito difícil responder. Cristiano Ronaldo e Messi jogaram em um nível muito alto por 10 a 15 anos. Eles sempre foram as referências, então, é sempre muito difícil compará-los com outros jogadores. Os outros precisam provar que estão no nível deles e que podem permanecer 10 ou 15 anos por lá. Isso não é fácil, mas se você tem talento, sempre tem a oportunidade de jogar bem ao longo dos anos. Mas o que é mais impressionante, que os diferencia, é o fato de se manterem por mais de uma década nesse nível.

Do que você mais sente falta dos seus tempos de jogador?
A convivência com o time, claro. Você passa a conhecer todos muito intensamente, jantamos juntos, no dia seguinte tomamos café da manhã juntos, almoçamos, é muito tempo junto. E não apenas nas viagens, mas nos treinos do dia a dia, no vestiário, sinto falta disso, é um momento legal em grupo.

E do que não sente nenhuma saudade?
Viajar. Eu gosto de estar em casa e ter minha família e amigos por perto. Então, não sinto nenhuma falta das viagens.

Precisamos falar sobre a partida entre Brasil e Alemanha na Copa do Mundo, já que agora temos um distanciamento daquele histórico 7 a 1...
Eu não acho. Bem, foi um grande resultado, mas estaríamos felizes com 2 a 1 já que chegamos na final e fomos campeões do mundo. Esses jogos são grandes e decisivos. Claro, há muitos jogos no caminho para o título. As pessoas sempre vão lembrar disso, especialmente os fãs de futebol na Alemanha e no Brasil. Para mim, pessoalmente, foi um ótimo jogo, mas não tão decisivo assim.

Mas aquela foi a maior vitória da história da seleção alemã?
Não, definitivamente. A história mostra algumas grandes vitórias, como na Copa do Mudo de 1954, a final [3 a 2 sobre a Hungria] foi importante para um grande crescimento do futebol na Alemanha. Podemos lembrar também da Copa do Mundo de 90, que eu vi na televisão. Penso que temos grandes momentos da nossa seleção além do 7 a 1.

Você acredita que, algum dia, a seleção alemã pode ser derrotada por 7 a 1 em uma Copa do Mundo? Por qual adversário?
Eu não gosto de imaginar isso. Mas, se é possível a Alemanha perder por 6 a 0 para a Espanha [resultado de jogo da Liga das Nações, no ano passado], todos resultados são sempre possíveis. Não quero nem imaginar algo assim.