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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Craque da "fase pobre", Elano diz que seu time foi ponto de virada do City

Elano foi o principal jogador do fim da "fase pobre" do Manchester City - Reprodução
Elano foi o principal jogador do fim da "fase pobre" do Manchester City Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

26/05/2021 04h00

Três títulos ingleses nos últimos quatro anos, um dos maiores orçamentos do futebol mundial, o técnico mais badalado de sua geração e a inédita classificação para a final da Liga dos Campeões da Europa.

Quando a primeira leva de jogadores brasileiros desembarcou no Manchester City, a realidade do adversário do Chelsea na decisão da Champions 2020/2021, neste sábado, era bem distante da retratada acima.

O meia Elano e o meia-atacante Geovanni chegaram ao clube inglês no início da temporada 2007/2008, época em que os Citizens já comemoravam quando ficavam na metade de cima da classificação da Premier League e amargavam um jejum de mais de 30 anos sem conquistar nenhum título nacional.

"O City já era um clube bom de trabalhar e que vinha crescendo. Mas acredito que a campanha que fizemos no primeiro ano funcionou como um ponto de virada. Fico muito feliz de ter feito parte desse momento do clube", afirmou Elano, em entrevista por telefone ao "Blog do Rafael Reis".

Segundo o ex-jogador do Santos e da seleção brasileira - hoje técnico da Ferroviária, quadrifinalista do último Campeonato Paulista -, foi o bom desempenho da equipe em 2007/2008 que despertou a atenção dos xeques árabes que compraram o clube e o transformaram em um novo rico do futebol europeu e mundial.

Na temporada de estreia do meio-campista na Inglaterra, o City foi nono colocado no Campeonato Inglês (uma de suas melhores classificações desde o início dos anos 1990) e, pela primeira vez desde 1970, venceu os dois clássicos da liga contra o Manchester United (um no turno e outro no returno).

Ao contrário de Geovanni, que não deu muito certo e passou a maior parte do tempo no banco de reservas, Elano se destacou e foi o artilheiro da equipe na temporada, com dez gols. O sucesso lhe garantiu a permanência no elenco para o ano seguinte, quando o City deu início à arrancada que o levou ao topo da Europa.

Vendido para a família real de Abu Dhabi, a equipe inglesa passou a gastar a rodo em busca de reforços cada vez mais qualificados. No primeiro ano do projeto, chegaram nomes como Robinho, Nigel de Jong, Wayne Bridge e Pablo Zabaleta. Com o passar do tempo, foram chegando Carlos Tevez, Sergio Agüero, Kevin de Bruyne, Pep Guardiola...

Logo, o City virou potência. O primeiro título de Campeonato Inglês dessa nova era foi conquistado em 2012. Desde então, a equipe já levantou mais 15 troféus das mais diferentes competições.

Elano não ficou por lá durante mais muito tempo. Em 2009, acabou negociado com o Galatasaray. Em 2018, logo no início de sua carreira como treinador, retornou ao clube para fazer um estágio de uma semana com Guardiola.

"O City já era bom na minha época, mas se tornou ainda melhor. A estrutura física, as ideias de jogos, tudo por lá é espetacular. O patamar é outro", concluiu.

A decisão da edição 2020/2021 da Champions será disputada neste sábado (29), no estádio do Dragão, no Porto (POR). Originalmente, a partida seria jogada em Istambul, mas, assim como no ano passado, a sede teve de ser alterada por causa da pandemia de covid-19.

Em Portugal, o jogo que decidirá o campeão europeu desta temporada poderá contar com a presença de público (ainda que reduzido). Doze mil ingressos foram colocados à venda, seis mil para torcedores de cada time.

Essa será a terceira final 100% inglesa na história da competição. Em 2008, o Chelsea foi derrotado nos pênaltis pelo Manchester United após empate por 1 a 1 com a bola rolando. Duas temporadas atrás, o Liverpool se sagrou campeão europeu com vitória por 2 a 0 sobre o Tottenham.

O torneio teve outras cinco decisões entre clubes do mesmo país: três espanholas (todas vencidas pelo Real Madrid, em 2000, 2014 e 2016), uma italiana (Milan 0 x 0 Juventus, em 2003, com triunfo rossonero nos pênaltis) e uma alemã (Bayern de Munique 2 x 1 Borussia Dortmund, em 2013).