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Rafael Reis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Champions premia futebol coletivo e complica Neymar, Messi e CR7

Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

25/05/2021 14h12

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi pararam ainda nas oitavas de final. Erling Haaland levou o Borussia Dortmund até as quartas. Kylian Mbappé e Neymar foram até mais longe, mas se mostraram incapazes de alcançar a decisão.

A Liga dos Campeões da Europa é a casa dos maiores craques do futebol mundial. Mas, pelo menos nesta temporada, eles não foram páreos para as equipes mais bem construídas e estruturadas do planeta.

A decisão entre Manchester City e Chelsea, que se enfrentam neste sábado, no estádio do Dragão, no Porto (Portugal), é mais uma vitória do jogo coletivo sobre a ideia de que os melhores times são aqueles que necessariamente possuem os melhores jogadores.

Não que os dois ingleses que vão disputar o título de campeão europeu da temporada não possuam talentos individuais. Afinal, é difícil encontrar argumentos para negar que Kevin de Bruyne (City) e N'Golo Kanté (Chelsea) sejam dois dos melhores meio-campistas do planeta na atualidade.

Mas, no caso dos times mais bem sucedidos da Champions 2020/21, os atletas de mais alto nível estão a serviço de um futebol coletivo e minuciosamente construído na cabeça dos seus treinadores, Pep Guardiola e Thomas Tuchel.

Eles até podem decidir jogos em eventuais lances de brilho individual, como um chute de longa distância, uma arrancada de deixar os adversários boquiabertos ou um passe que só alguém com QI futebolístico altíssimo conseguiria executar.

Só que, durante a maior parte do tempo das partidas, eles não estão jogando para eles próprios e seus fãs, mas sim executando tarefas táticas que receberam dos seus técnicos e que são essenciais para que as engrenagens das equipes que defendem funcionem perfeitamente.

É essa a diferença estrutural entre os finalistas da Champions e Barcelona (Messi), PSG (Mbappé e Neymar) e Juventus (CR7). Essas equipes depositam o sucesso e o fracasso nas costas dos astros. Consequentemente, jogam em função deles e acabam se armando taticamente sempre com um ou dois homens a menos.

Jogar em um time com essas características, que não funciona tão bem coletivamente de depende demais da sua individualidade, é um dos problemas que Neymar enfrenta para voltar a vencer a Liga dos Campeões e ser eleito o melhor jogador do mundo.

Sim, para o camisa 10 brasileiro, o título coletivo e a conquista individual estão intimamente ligados. E a série UOL Esporte Explica, apresentada por Domitila Becker, explica por que.