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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

A história do artilheiro de Copa do Mundo que quase venceu o "No Limite"

Totó Schillaci, artilheiro da Copa-1990, durante participação no "No Limite" italiano - Reprodução
Totó Schillaci, artilheiro da Copa-1990, durante participação no "No Limite" italiano Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

11/05/2021 04h20

Depois de 12 anos, a Globo volta a exibir a partir da noite de hoje o "No Limite". Em sua quinta edição, o reality show de aventura e sobrevivência será exclusivo para antigos participantes do Big Brother Brasil.

Agora imagina se a emissora decidisse convidar para o programa não apenas quem já esteve no BBB, mas, sim, celebridades das mais variadas áreas, e escalasse como participante um artilheiro de Copa do Mundo, como Ronaldo Fenômeno, por exemplo.

Pois foi exatamente isso que a RAI fez no começo do século. A segunda edição do "L'isola dei famosi" (a versão italiana do programa), disputada em 2003, reuniu atores, cantores, DJs, dançarinos e também um goleador com nome gravado na história da mais importante competição de futebol do planeta.

Autor de seis gols na Copa 1990 e eleito o melhor jogador da competição, o ex-atacante Salvatore Schillaci (que defendeu Juventus e Inter de Milão) topou participar da aventura em busca de um prêmio de 200 mil euros (quase R$ 1,3 milhão, na cotação atual).

E, mesmo já tendo 39 anos na época, Totó, como é mais conhecido no mundo da bola, fez bonito no reality. O ex-atleta sobreviveu aos 57 dias de confinamento e só foi derrotado na final.

O italiano foi o terceiro colocado do "L'isola del famosi". Perdeu apenas para o modelo e ator espanhol Sergio Múñiz, campeão da edição, e para o ator indiano Kabir Bedi.

"Foi uma experiência muito intensa. Na época, estava meio esquecido. Consegui me apresentar a um público mais jovem, que nunca tinha ouvido falar do Schillaci. Também mostrei o meu lado mais humano e provei que nem todos os jogadores de futebol são uns imbecis", disse o ex-atleta, em 2010.

De fato, a presença na versão italiana do "No Limite" aproximou o ex-atacante de um novo mundo. Totó trabalhou como ator em um filme e dois seriados de televisão. Além disso, topou voltar aos gramados para disputar uma partida de futebol (de uma liga regional), em 2008, aos 43 anos, e fazer desse retorno um outro reality show.

A bem-sucedida participação de Schillaci também criou uma espécie de "cota" no "L'isola del famosi" para ex-jogadores de futebol. O programa repetiu a fórmula e convidou atletas aposentados em 2007 (Francesco Coco), 2008 (Antonio Cabrini), 2019 (Stefano Bettarini e Abdelkader Ghezzal) e 2021 (Paul Gascoigne).

Só que nenhum deles conseguiu ir tão longe no teste de sobrevivência quanto o artilheiro da Copa 1990.

Participação de ex-jogador de futebol famoso em um reality show melhor que a de Schillaci no "L'isola del famosi" só mesmo a presença do alemão David Odonkor no "Promi Big Brother 3", na TV germânica. O integrante da seleção que foi terceira colocada no Mundial de 2006 ganhou o programa, disputado em 2015, dois anos depois da sua aposentadoria nos gramados.

No Brasil, esta será a primeira edição do "No Limite" disputada por pessoas já conhecidas do público. Na década de 2000, quando o programa "bombou" na Globo, só "anônimos" podiam participar do reality.