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Rafael Reis

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

City ainda não venceu a Champions, mas já é o melhor time do mundo

Mahrez foi o jogador mais decisivo do City nas semifinais da Champions - ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP
Mahrez foi o jogador mais decisivo do City nas semifinais da Champions Imagem: ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

04/05/2021 17h54

O Manchester City está a 90 minutos de conquistar pela primeira vez na história o título da Liga dos Campeões da Europa. Mas, independente do que aconteça na decisão do torneio, o posto de melhor time do mundo já é e continuará sendo dos comandados de Pep Guardiola.

Assim como o Paris Saint-Germain, derrotado nos dois jogos da semifinal (2 a 1 e 2 a 0), Chelsea e Real Madrid, os outros dois semifinalistas da competição interclubes mais importante do planeta, não jogam mais bola que o virtual campeão inglês.

Eles até podem ganhar a Champions, já que futebol é um dos esportes mais propícios a zebra e confrontos em jogo único são ainda mais abertos a resultados surpreendes. Só que o lugar do City no Olimpo da temporada 2020/21 já está mais garantido.

Na soma dos últimos meses, apenas o Bayern de Munique, não coincidente o atual campeão europeu, chegou a jogar em tão alto nível quanto a turma de Kevin de Bruyne, Riyad Mahrez, Phil Foden e cia.

Só que os alemães perderam fôlego com o conflito interno que levará à saída do técnico Hansi Flick no fim da temporada, foram eliminados pelo PSG nas quartas de final do torneio número um do calendário continental e deixaram o City se isolar como time número um do planeta.

As exibições contra a equipe de Neymar, na semana passada e hoje, mostraram bem o nível de maturidade que o trabalho de Guardiola atingiu na Inglaterra depois de cinco anos (recorde na carreira do treinador).

O City ainda brinca de bobinho com seus adversários, característica que o técnico catalão exibe desde que se apresentou para o mundo no Barcelona. Mas agora tem um repertório muito mais vasto de opções.

Utilizando um péssimo jargão do mundo do futebol, Guardiola aprendeu a sofrer. Apesar de ainda preferir a marcação alta, com pressão sobre a saída de bola adversária, não se incomoda mais em, de vez em quando, recuar as linhas e jogar com blocos mais baixos.

Os ingleses utilizaram essa arma em parte dos confrontos do PSG para impedir que os franceses jogassem da forma que mais lhes favorece: em lançamentos velozes nas costas dos laterais e zagueiros.

Outra lição que Guardiola aprendeu e que o time azul de Manchester executa com maestria é a ideia de que nem todo passe precisa ser curto. O gol que abriu o caminho no segundo jogo da semifinal, nascido de um foi "nota 10" nesse quesito e nasceu de um lançamento pornográfico de Ederson.

Por tudo isso, o City é o melhor time do mundo nesta temporada. Falta só concretizar essa dominância com o mais importante título dos seus 140 anos de existência.

Seu adversário na decisão da Champions será conhecido amanhã. Graças ao 1 a 1 conquistado na Espanha, o Chelsea joga por um empate sem gols para construir uma final 100% inglesa. Resta ao Real vencer na casa do adversário ou empatar metendo pelo menos duas bolas nas redes.

O novo campeão europeu será conhecido no 29 de maio, no Olímpico Atatürk, em Istambul (Turquia). O estádio originalmente seria palco do jogo do título do ano passado, que precisou ser alterado por causa da pandemia de covid-19.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL