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Rafael Reis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como ficaria a seleção brasileira sem os jogadores da Superliga europeia?

Richarlison deve virar titular da seleção se os jogadores da Superliga não puderem ser convocados - Raúl Martínez-Pool/Getty Images
Richarlison deve virar titular da seleção se os jogadores da Superliga não puderem ser convocados Imagem: Raúl Martínez-Pool/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

21/04/2021 04h20

A Superliga mal nasceu e já foi paralisada devido à desistência da maior parte dos seus fundadores. Mas é inegável que a ideia de fundar uma nova competição, sem nenhum vínculo com Fifa ou Uefa e reunindo apenas os clubes mais poderosos do planeta, movimentou o noticiário esportivo nos últimos dias.

Entre as várias histórias que surgiram sobre o tema, houve a ameaça de que jogadores que participassem do novo torneio europeu seriam impedidos de continuar defendendo suas seleções.

Mas, o que aconteceria com a seleção brasileira? O "Blog do Rafael Reis" analisou as últimas convocações de Tite para mostrar as escolhas que o treinador teria de fazer se não pudesse mais utilizar os atletas dos 12 clubes originais da Superliga.

GOLEIRO
Atual titular: Alisson (Liverpool)
Novo titular: Weverton (Palmeiras)

Como os dois goleiros mais utilizados por Tite desde que chegou ao comando da seleção, Alisson (Liverpool) e Ederson (Manchester City), são contratados de clubes fundadores da Superliga, o treinador gaúcho teria de utilizar uma terceira opção para assumir a meta brasileira. Nesse caso, o nome mais provável para vestir a camisa 1 seria o de Weverton, destaque do Palmeiras nas conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores na temporada passada. Esse movimento seria para lá de natural, já que o campeão olímpico de 2016 vem sendo o terceiro goleiro da seleção nas últimas convocações e até começou jogando na rodada dupla que abriu as eliminatórias da Copa do Mundo-2022, contra Bolívia e Peru, em outubro passado.

LATERAIS
Atuais titulares: Danilo (Juventus) e Renan Lodi (Atlético de Madri)
Novos titulares: Gabriel Menino (Palmeiras) e Guilherme Arana (Atlético-MG)

Assim como no gol, Tite provavelmente teria de apelar aos clubes brasileiros para encontrar novos titulares para as laterais caso os jogadores da Superliga realmente fossem proibidos de defender suas seleções. Na direita, com a impossibilidade de utilizar Danilo (Juventus), a vaga provavelmente seria herdada por seu reserva imediato, Gabriel Menino, que há tempos não é utilizado nesse setor pelo Palmeiras. Outra possibilidade seria dar uma oportunidade a Emerson, que atua no Betis, da Espanha. Já na esquerda, os dois preferidos do treinador brasileiro, Renan Lodi (Atlético de Madri) e Alex Telles (Manchester United), virariam cartas fora do baralho. Com isso, a vaga poderia cair nas mãos de Guilherme Arana, do Atlético-MG, que foi convocado nas eliminatórias.

ZAGUEIROS
Atuais titulares: Marquinhos (PSG) e Thiago Silva (Chelsea)
Novos titulares: Marquinhos (PSG) e Rodrigo Caio (Flamengo)

Para a sorte brasileira, o melhor zagueiro do país na atualidade, Marquinhos, joga em um dos poucos clubes da elite econômica europeia que não se filiaram à Superliga. Mas o companheiro do defensor do Paris Saint-Germain teria de ser substituído, já que o Chelsea, do veterano Thiago Silva, estaria originalmente na nova competição. Éder Militão (Real Madrid) e Felipe (Atlético de Madri), que seriam opções naturais, também não poderiam ser convocados. Assim, a vaga de titular provavelmente seria assumida por Rodrigo Caio (Flamengo), que vem sendo frequentemente lembrado por Tite. Diego Carlos (Sevilla) esteve na última lista e também poderia disputar posição.

MEIAS
Atuais titulares: Casemiro (Real Madrid), Douglas Luiz (West Ham) e Philippe Coutinho (Barcelona)
Novos titulares: Allan (Everton), Douglas Luiz (Aston Villa) e Éverton Ribeiro (Flamengo)

Esse é um setor que seria bastante impactado pela Superliga. Afinal, dos três titulares do meio-campo brasileiro, apenas Douglas Luiz (Aston Villa) joga em um clube que não fez parte do grupo que desejava romper com a Liga dos Campeões. Na posição de volante, Tite não perderia apenas seu titular, Casemiro (Real Madrid), mas também o reserva imediato, Fabinho (Liverpool). Quando se viu nessa situação por motivos de contusão, o treinador utilizou Allan (Everton) à frente da zaga. Outra opção, ainda não testada em começo de partida, seria escalar Bruno Guimarães (Lyon). Já o posto de terceiro homem do meio-campo provavelmente ficaria com Éverton Ribeiro, já que o flamenguista substituiu Philippe Coutinho (Barcelona) nas eliminatórias. Lucas Paquetá (Lyon) correria por fora na briga pela vaga.

ATACANTES
Atuais titulares: Gabriel Jesus (Manchester City), Roberto Firmino (Liverpol) e Neymar (PSG)
Novos titulares: Everton Cebolinha (Benfica), Richarlison (Everton) e Neymar (PSG)

Assim como na zaga, o PSG também quebraria um galho enorme para o treinador da seleção no ataque. A ausência da equipe francesa na Superliga possibilitaria que Tite continuasse tendo à disposição o jogador brasileiro mais talentoso de sua geração. Mas Neymar seria o único titular do ataque que continuaria sendo convocado, já que Gabriel Jesus (Manchester City) e Roberto Firmino (Liverpool) não poderiam ser mais chamados. Quem provavelmente assumiria a camisa 9 seria Richarlison (Everton), que na prática já é quase um 12º titular do time pentacampeão mundial. O terceiro homem do setor ofensivo possivelmente seria Everton Cebolinha (Benfica), que tem lugar fixo nas listas da seleção desde que brilhou na Copa América-2019 e eventualmente é até escalado de início em algumas partidas.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o meia Douglas Luiz joga no Aston Villa, não no West Ham.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL