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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Sem Renato, até Arábia e Rússia têm técnicos mais longevos que Brasil

Renato Gaúcho dirigia o Grêmio há quatro anos e oito meses - Ettore Chiereguini/AGIF
Renato Gaúcho dirigia o Grêmio há quatro anos e oito meses Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

17/04/2021 04h00

A saída de Renato Gaúcho do comando do Grêmio, selada na quinta-feira, depois da derrota por 2 a 1 para o Independiente del Valle, pela fase preliminar da Libertadores, encerrou um trabalho de quatro anos e oito meses que era exceção na incessante política de contratações e demissões de treinadores que impera no futebol brasileiro.

Com a queda de Portaluppi, o técnico há mais tempo no cargo em um time da primeira divisão nacional passa a ser Lisca, que dirige o América-MG desde janeiro do ano passado e conseguiu na última temporada a promoção para a Série A.

Só que seu período na função (menos de um ano e quatro meses, já que ele foi anunciado em 30 de janeiro) parece até piada na comparação com os trabalhos mais longevos de outros países que fazem parte dos primeiros escalões do futebol mundial.

Em uma lista com 20 dos principais campeonatos nacionais do planeta (12 da Europa, quatro das Américas e mais quatro da Ásia), o Brasil é aquele em que o técnico há mais tempo em um mesmo clube chegou por último.

As nações que mais se aproximam do recorde de Lisca são Arábia Saudita e Coreia do Sul. Nesses dois países, os treinadores mais longevos (Abderrazek Chebbi e Byung-su Kim) assumiram seus cargos atuais em meados de 2018... ou seja, um ano e meio antes do comandante do time mineiro.

Mesmo outras partes do mundo famosas internacionalmente por não terem muita paciência com técnicos contam com trabalhos capazes de constranger os dirigentes e torcedores brasileiros.

China, Rússia e Turquia ainda têm em curso trabalhos que foram iniciados no segundo semestre de 2017. Fabio Cannavaro (Guangzhou FC) e Fatih Terim (Galatasaray) até ganharam títulos nacionais que facilitaram suas permanências, mas Valeri Karpin (Rostov), não.

Já do outro lado do ranking da paciência, Estados Unidos e México possuem treinadores que já completaram aniversário de uma década comandando o mesmo time.

O mais longevo de todos é Peter Vermes, que está à frente do Sporting Kansas City desde novembro de 2009. Nesse tempo todo, ele ganhou um título da MLS (2013) e três edições do US Open. Mesmo sem nenhum troféu há quatro anos, ele está longe de ter o cargo ameaçado.

Já o brasileiro Ricardo Ferretti, à frente do Tigres desde 2010, vive agora o auge do seu trabalho. Na temporada passada, venceu a Liga dos Campeões da Concacaf. E, em dezembro, foi vice-campeão do Mundial de Clubes, com direito a vitória sobre o Palmeiras nas semifinais.

Na elite europeia, apesar da fama de Diego Simeone, que irá completar dez anos como líder do Atlético de Madri em dezembro, há pelo menos um técnico mais longevo que ele: Stéphane Moulin, que dirige o Angers desde julho de 2011.

E isso porque a equipe passou a maior parte desse período na metade de baixo da classificação do Campeonato Francês. Apesar disso, os dirigentes do clube sempre acreditaram que a manutenção do trabalho, que será encerrado no fim da temporada, por decisão do próprio treinador, era a melhor opção.

O técnico mais longevo em cada país*

EUA: Peter Vermes, no Sporting Kansas City desde novembro/2009
MÉXICO: Ricardo Ferretti, no Tigres desde julho/2010
FRANÇA: Stéphane Moulin, no Angers desde julho/2011
ESPANHA: Diego Simeone, no Atlético de Madri desde dezembro/2011
ALEMANHA: Christian Streich, no Freiburg desde dezembro/2011
BÉLGICA: Francky Dury, no Zulte Waregem desde dezembro/2011
UCRÂNIA: Oleksandr Ryabokon, no Desna desde março/2012
INGLATERRA: Sean Dyche, no Burnley desde outubro/2012
ÁUSTRIA: Thomas Silberberger, no WSG Tirol desde julho/2013
ARGENTINA: Marcelo Gallardo, no River Plate desde junho/2014
JAPÃO: Tomohiro Katanosaka, no Oita Trinita desde fevreiro/2016
ITÁLIA: Gian Piero Gasperini, na Atalanta desde junho/2016
HOLANDA: Dick Lukkien, no Emmen desde julho/2016
PORTUGAL: Sérgio Conceição, no Porto desde julho/2017
CHINA: Fabio Cannavaro, no Guangzhou FC desde novembro/2017
RÚSSIA: Valeri Karpin, no Rostov desde dezembro/2017
TURQUIA: Fatih Terim, no Galatasaray desde dezembro/2017
ARÁBIA SAUDITA: Abderrazek Chebbi, no Abha desde julho/2018
COREIA DO SUL: Byung-su Kim, no Gangwon FC desde agosto/2018
BRASIL: Lisca, no América-MG desde janeiro/2020

*apenas entre os times da primeira divisão nacional (MLS, no caso dos EUA)