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Rafael Reis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Prisão de Bartomeu nos lembra que fiascos do Barcelona têm nome e sobrenome

Josep María Bartomeu foi presidente do Barcelona de 2014 ao ano passado - Albert Gea/Reuters
Josep María Bartomeu foi presidente do Barcelona de 2014 ao ano passado Imagem: Albert Gea/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/03/2021 12h37

Cinco anos (a caminho de seis) sem vencer a Liga dos Campeões da Europa, derrotas vergonhosas como 8 a 2 aplicado pelo Bayern de Munique, na temporada passada, e a decisão do maior jogador de sua história de não renovar contrato e ir embora para outro clube sem deixar uma compensação financeira para trás.

As prisões do ex-presidente Josep María Bartomeu e de outros três dirigentes do Barcelona, realizadas hoje pela política espanhola, mostram que a maior crise vivida pelo time catalão ao longo das últimas décadas tem culpados bem claros. E eles não são os jogadores.

Foi a trupe do cartola, que teve o poder em suas mãos entre 2014 e 2020, quem jogou o nome do Barça na lama e transformou uma máquina de fazer dinheiro em uma instituição que tem uma dívida de 730 milhões de euros (R$ 4,9 bilhões) para quitar até junho.

Antes mesmo de possíveis crimes virem à tona e provocarem sua prisão, Bartomeu já era conhecido pela incompetência com que conduzia o futebol culé.

Quatro anos atrás,o então presidente pouco fez para evitar que Neymar, o protagonista jovem do clube e candidato natural a suceder Messi como líder do Barça, fosse para o Paris Saint-Germain.

Pior: transformou os 222 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) recebidos pela transferência do brasileiro em água. Na "era Bartomeu", o Barça contratou três reforços que custaram mais de 100 milhões de euros (R$ 675,1 milhões), Philippe Coutinho, Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé. Até hoje, nenhum deles deu certo no Camp Nou.

O então presidente conseguiu até arranjar briga com quem realmente mandava na Catalunha: Messi. O craque argentino passou 2020 inteiro reclamando da desorganização da diretoria e da falta de um projeto esportivo para fazer a equipe ser competitiva novamente.

O que Bartomeu fez? De acordo com o "BarçaGate", contratou uma consultoria especializada na gestão de dados e redes sociais para falar mal de Messi e de outros dos seus críticos mais vorazes, como o zagueiro Gerard Piqué, o ex-meia Xavi Hernández, o técnico Pep Guardiola e o ex-presidente Joan Laporta.

Foi justamente a investigação de possíveis fraudes no contrato essa empresa, a I3 Ventures, que fez o dirigente ser preso na manhã de hoje. A polícia também invadiu o Camp Nou em busca de documentos ligados à gestão do ex-presidente.

Bartomeu renunciou à presidência do Barça em outubro, com a imagem completamente arranhada pelos resultados em campo e pela anunciada decisão de Messi de ir embora do clube depois do encerramento do seu contrato, em junho de 2021.

Novas eleições foram convocadas para escolher seu sucessor no comando do clube. O pleito será realizado no domingo e tem três candidatos: Laporta, que já ocupou o cargo entre 2003 e 2010, Victor Font e Toni Freixa.

Apesar de os três possíveis futuros presidentes do Barça tratarem a manutenção de Messi como prioridade, ninguém sabe ao certo o que será do argentino a partir da próxima temporada.

Depois da queda de Bartomeu, o camisa 10 parou de falar frequentemente sobre seus planos para os próximos meses. Mas é certo que existem pelo menos dois fortes candidatos a contratá-lo: Manchester City e Paris Saint-Germain.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL