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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Israel já vacina jogadores e promete futebol com torcida só para imunizados

Pedro Petrazzi atua no futebol de Israel, país que é exemplo na vacinação contra covid-19 - Divulgação
Pedro Petrazzi atua no futebol de Israel, país que é exemplo na vacinação contra covid-19 Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

13/02/2021 04h00

Enquanto o Brasil ainda dá os primeiros passos na imunização para conter a pandemia da covid-19 e sofre com a escassez de doses até mesmo para profissionais de saúde e idosos, Israel já começou a vacinação dos jogadores profissionais de futebol.

Não que os atletas do esporte mais popular do planeta tenham tido algum privilégio e puderam furar a fila de prioridades. Mas é que o país que se tornou exemplo no uso de vacinas para combate ao coronavírus já atendeu à demanda dos grupos mais necessitados e agora estendeu sua campanha para o restante da população.

"Olha, até chegaram a discutir a possibilidade de dar alguma prioridade aos jogadores, já que estamos em campo e não podemos trabalhar de máscara. Mas a produção da vacina por aqui foi tão rápida que, antes de decidirem se ia ter ou não essa prioridade, Israel já estava vacinando as pessoas jovens e sem nenhuma comorbidade", afirmou o brasileiro Pedro Petrazzi, em entrevista por telefone ao "Blog do Rafael Reis".

O meio-campista do Hapoel Nof HaGalil, da segunda divisão, faz parte dos cerca de 40% da população israelense que já receberam pelo menos uma dose das vacinas da Pfizer, da Moderna ou da AstraZeneca/Oxford e conta os dias para entrar no grupo dos 20% que foram picados pela segunda vez e estão imunizados.

O jogador, que começou a carreira no Comercial, de Ribeirão Preto (SP), e atua no exterior desde 2009, só lamenta que nem todos os seus companheiros de time estejam com a mesma pressa para entrar na fila de vacinação.

"É até difícil acreditar, mas acredita que tem atletas do meu time que não querem tomar vacina? Eles falam que têm medo porque não sabem o que pode acontecer daqui dois ou três anos. E o pior é que não são poucos jogadores. Mais ou menos metade do time está nessa."

Só que os jogadores do Hapoel Nof HaGalil e também dos outros clubes do país que pensam dessa forma têm sido pressionados pelos dirigentes a rever essa posição e aceitar as doses anti-covid.

Afinal, a entidade que organiza o Campeonato Israelense condicionou o retorno da presença de torcedores nos estádios (e a consequente volta da arrecadação com bilheterias) a uma vacinação completa nos clubes de futebol do país.

O projeto é bem simples: os times que estiverem com 100% do elenco e da comissão técnica devidamente imunizados (com duas doses) poderão ter público em seus jogos como mandante. Mas esses torcedores só poderão entrar nas arenas se comprovarem, com seus cartões de vacinação, que já estão protegidos do coronavírus.

A ideia ainda não tem data para entrar em prática, já que depende da conclusão do processo de imunização dos jogadores, algo que, como o próprio Petrazzi disse, está longe de ser consenso nos elencos.

Enquanto isso não acontece, o meia comemora o fato de estar encarando a pandemia no país-exemplo da vacinação para a covid e não no Brasil, onde mais de mil pessoas estão morrendo por dia em virtude do coronavírus.

"O primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] comprou insumos para aplicar 10 milhões de doses [a população do país é de 8,8 milhões de pessoas]. Aqui, trataram a vacinação como prioridade, coisa que o Bolsonaro não está fazendo", completou.