PUBLICIDADE
Topo

Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Capitão e ídolo, Neuer foi proibido de beijar escudo na chegada ao Bayern

Neuer é capitão e ídolo do Bayern de Munique, finalista do Mundial de Clubes - FC Bayern/Divulgação
Neuer é capitão e ídolo do Bayern de Munique, finalista do Mundial de Clubes Imagem: FC Bayern/Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

11/02/2021 04h00

Mais de 415 partidas disputadas ao longo dos últimos dez anos vestindo a camisa do Bayern de Munique, com direito a conquistas de oito títulos alemães e duas edições da Liga dos Campeões da Europa. Isso sem contar, é claro, a Copa do Mundo vencida com a seleção alemã, o terceiro lugar no prêmio de melhor jogador do planeta em 2014 e o posto de um dos goleiros mais importantes do futebol em todos os tempos.

Não há dúvidas de que Manuel Neuer é um dos maiores ídolos da história recente do time bávaro, que decide hoje (11), a partir das 15h (de Brasília) o Mundial de Clubes da Fifa contra o Tigres, do México, no Qatar.

Só que a vida do hoje capitão do Bayern nem sempre foi tão tranquila assim em Munique. Em 2011, quando assinou com a equipe, o goleiro sofreu uma forte rejeição dos torcedores mais radicais e foi submetido a um pesado (e incomum) código de conduta.

"Você pode até defender todas as bolas, mas nunca vamos aceitá-lo vestindo nossa camisa", dizia uma faixa que os ultras (algo semelhante às torcidas organizadas aqui do Brasil) costumavam exibir nos primeiros treinos e jogos de Neuer no clube.

Assim que chegou ao Bayern, o goleiro foi "convidado" a conversar com essa parcela mais radical dos apoiadores bávaros. E deles recebeu uma série de recomendações que teria de seguir à risca para que sua presença fosse pelo menos "tolerada".

Segundo o jornal "Der Spiegel", a cartilha recebida por Neuer dizia que ele não tinha o direito de beijar o escudo do clube e nem de se dirigir às arquibancadas normalmente ocupadas pelos ultras.

Os radicais também o proibiram de lançar sua camisa para o público depois do apito final das partidas e de utilizar o megafone para falar com o estádio (uma tradição da interação entre atletas e torcida em jogos na Alemanha).

Mas por que os ultras do Bayern pegaram tanto no pé de Neuer? A resposta está no passado do goleiro.

Nascido em Gelsenkirchen, o camisa 1 começou a carreira no time da cidade, o Schalke 04, tradicionalmente um dos maiores rivais do gigante de Munique. Além disso, ele nunca escondeu de ninguém que é torcedor dos Azuis Reais.

Ainda no começo da carreira, Neuer deu algumas entrevistas criticando o Bayern e chegou a dizer que seus planos para o futuro não incluíam uma transferência para o clube mais poderoso da Alemanha. Ele também imitou um famoso gesto de Oliver Kahn (lendário goleiro dos bávaros) como forma de provocação depois de uma vitória do Schalke no clássico.

Mas o arqueiro já foi "perdoado". A década de sucesso em Munique o transformou em ídolo e capitão do time. Curiosamente, a torcida que hoje o persegue durante as partidas, com vaias e insultos, e o acusa de falta de respeito é justamente a do seu antigo time.

O Mundial de Clubes 2020 está sendo disputado em fevereiro de 2021 por conta do adiamento no calendário do futebol internacional provocado pela pandemia. Também devido à proliferação do coronavírus, a competição tem um participante a menos nesta edição — o Auckland City, da Nova Zelândia, decidiu não viajar ao Qatar.

Favorito na decisão deste ano, o Bayern está em busca do seu quarto título mundial (venceu a Copa Intercontinental em 1976 e 2001, além do torneio da Fifa de 2013). Já o Tigres é o primeiro clube mexicano a alcançar a final da competição.