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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Torcendo pelo "bi", nem Dudu se vê como adversário do Palmeiras no Mundial

Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

04/02/2021 04h00

Depois de cinco anos e meio, 305 partidas e 70 gols como jogador do Palmeiras, Dudu vai viver uma experiência diferente a partir de hoje. No Mundial de Clubes da Fifa, o atacante terá pela primeira vez como adversário o clube onde passou a maior parte da carreira e se tornou ídolo.

Se bem que a palavra adversário talvez não faça muito jus à relação entre o agora astro do Al-Duhail, atual campeão nacional do Qatar e representante do país-sede na competição, e o novo vencedor da Libertadores.

O próprio Dudu admite que, mesmo no Mundial, continua sendo torcedor palmeirense e que não acredita muito na possibilidade do seu time de coração acabar indo a campo contra seu clube de profissão.

"Nem consigo imaginar isso. É muito difícil(...). Se acontecer [de enfrentar o Palmeiras], vai ser estranho, mas sou profissional. Então, tenho que deixar o coração de lado e defender o clube onde estou agora", disse o brasileiro, em entrevista exclusiva ao "Blog do Rafael Reis".

Al-Duhail e Palmeiras podem se enfrentar em uma eventual final (ou também na disputa pelo terceiro lugar).

Mas, para que isso aconteça, os qatarianos precisam vencer a partida de estreia, hoje, contra o Al-Ahly, do Egito, atual campeão africano, e depois desbancar o favoritíssimo Bayern de Munique na semifinal.

Já o antigo time de Dudu só tem um compromisso antes da decisão, contra o vencedor do outro encontro do dia de abertura do Mundial, entre Tigres, do México, que ganhou a Champions da Concacaf, e Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, campeão asiático.

Por isso, até o atacante brasileiro acredita que é mais fácil o Palmeiras ser campeão mundial ("pela segunda vez, como fez questão de ressaltar") do que o título ficar no território do Qatar.

"Não tem como você comparar o futebol brasileiro ao do Qatar. Eles estão evoluindo, estão crescendo, têm jogadores bons, mas não tem como comparar com Palmeiras ou Bayern. Nosso objetivo é chegar à semifinal. Depois entregamos nas mãos de Deus."

Um dos protagonistas dos títulos brasileiro (2016 e 2018) e da Copa do Brasil (2015) conquistados pelo Palmeiras nos últimos anos, Dudu deixou o clube em agosto. Ou seja, não chegou a trabalhar com o técnico português Abel Ferreira e pouco participou da campanha da Libertadores.

Mesmo só tendo participado dos dois primeiros jogos do torneio continental (contra Tigre e Guaraní, antes da paralisação por causa da pandemia da Covid-19), o antigo camisa 7 alviverde também se considera campeão sul-americano e confessa que até sentiu uma "invejinha do bem" dos seus antigos companheiros durante a final contra o Santos, sábado.

"Ah, a gente sempre quer estar presente nos momentos bons(...) Mas é como eu falei para minha mulher: estou feliz com a conquista do pessoal e feliz por ter saído para um lugar bom também. Não foi aquele arrependimento de queria estar lá porque aqui está ruim."

E realmente Dudu não tem muito o que reclamar do seu primeiro semestre no Qatar. Em 23 jogos com a camisa do Al-Duhail, ele já marcou 11 gols e distribuiu mais 11 assistências. Nunca em sua carreira como profissional, o atacante havia balançado as redes e distribuído passes para gols em uma frequência tão alta quanto agora.

"As pessoas acham que é fácil jogar aqui, mas não. Você precisa entender os jogadores, que são diferentes dos brasileiros, o jeito do futebol daqui. Tem a língua, a temperatura..."

Mas, mesmo com o bom início de trajetória no Oriente Médio, o brasileiro já tem planos de retornar para casa. Emprestado ao Al-Duhail até o meio do ano, ele deseja que os qatarianos comprem seus direitos econômicos e o mantenham por lá até 2023. Aí sim, ele quer voltar a vestir verde.

"Quando eu tiver que voltar para o Brasil, será 100% para o Palmeiras. Claro que isso depende também do clube. Mas o Palmeiras será minha primeira opção. Dei uma pausa, mas quero voltar para terminar essa história. Estou com muitas saudades do clube, da torcida, de jogar no Allianz."

O Mundial de Clubes-2020 está sendo disputado em fevereiro de 2021 por conta do adiamento no calendário do futebol internacional provocado pela pandemia. Também devido à proliferação do coronavírus, a competição terá um participante a menos nesta edição - o Auckland City, da Nova Zelândia, decidiu não viajar ao Qatar.

Palmeiras e Bayern, as duas principais atrações do torneio da Fifa, só estreiam na próxima semana. A decisão que irá coroar a melhor equipe do planeta está marcada para o dia 11.