PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Rafael Reis

Dez anos após "Mazembaço", algoz do Inter vira político e dança de gravata

Robert Kidiaba entrou para a história como goleiro do TP Mazembe - Reuters
Robert Kidiaba entrou para a história como goleiro do TP Mazembe Imagem: Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

14/12/2020 04h20

Há exatos dez anos, o Internacional se tornou o primeiro time da América do Sul (e, consequentemente, representante do futebol brasileiro) a fazer feio no Mundial de Clubes da Fifa e ser eliminado da competição antes da sempre aguardada decisão contra o vencedor da Liga dos Campeões da Europa.

Mas os jogadores que entraram para a história na vitória por 2 a 0 do TP Mazembe, da República Democrática do Congo, sobre os gaúchos, conquistada em 14 de dezembro de 2010, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, não foram os autores dos gols, Patou Kabangu e Dioko Kaluyituka.

A figura mais lembrada do "Mazembaço", apelido pelo qual a derrota do Inter ficou conhecida aqui no Brasil, é o goleiro da equipe africana. Mas o motivo pelo qual ele caiu nas graças dos torcedores rivais dos colorados não foi uma suposta atuação brilhante naquele dia.

Robert Muteba Kidiaba é uma daquelas figuras marcantes que o futebol nos apresenta de vez em quando. Dono de um visual capilar dos mais extravagantes (uma careca interrompida por algumas poucas tranças), ele comemorava cada gol marcado por seu time com uma dancinha única que se tornou sua marca registrada.

O camisa 1 do Mazembe, que na época já tinha 34 anos e era uma lenda do futebol congolês, sentava no chão e começava a dar pulinhos para frente e para o lado. Enquanto quicava em campo, colocava os braços para sempre, dando impressão que era um trenzinho.

Por causa de Kidiaba, a dancinha se tornou um hit no Rio Grande do Sul... bem, pelo menos na metade azul do Estado. O que não faltou foi torcedores do Grêmio imitando o goleiro para irritar os rivais do Inter.

Dez anos depois, o congolês continua repetindo seu gesto característico, mas não mais usando o uniforme do Mazembe, único clube que defendeu ao longo de 15 anos de carreira como profissional e pelo qual se aposentou em 2016.

Foi com essa dancinha, mesmo trajando terno e gravata, que Kidiaba comemorou sua entrada em uma nova carreira, a de político.

No ano passado, o ex-goleiro foi eleito deputado pela província de Katanga, onde fica Lubumbashi, cidade onde nasceu e fica a sede do Mazembe. Filiado ao Partido Nacional pela Democracia, ele faz oposição ao presidente Félix Tshisekedi.

No total, Kidiaba disputou três edições do Mundial da Fifa. Em 2009, ele perdeu para o Pohang Steelers, da Coreia do Sul, nas quartas de final. Já em 2015, o algoz foi o Sanfrecce Hiroshima, do Japão, novamente na mesma fase.

Depois do "Mazembaço", somente outros três sul-americanos foram eliminados da competição antes da final. Em 2013, o Atlético-MG foi superado pelo Raja Casablanca, de Marrocos. Três anos depois, os colombianos do Atlético Nacional perderam para o Kashima Antlers, do Japão. E, em 2018, o River Plate, da Argentina, caiu ante o Al-Ain, dos Emirados Árabes.

Todas essas zebras, no entanto, não duraram muito no torneio que reúne anualmente os campeões de todos os continentes e acabaram derrotas na decisão pelos representantes da Europa.

A próxima edição do Mundial de Clubes não será disputada neste mês, como de costume. Devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), ela foi adiada para fevereiro e será jogada no Qatar.

Quatro dos sete participantes já foram definidos: Bayern de Munique (Europa), Al Ahly (África), Auckland City (Oceania) e Al Duhail (representante do país-sede). Ásia, América do Sul e Concacaf (Américas Central e do Norte, além do Caribe) ainda estão com seus torneios continentais em andamento.