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Rafael Reis

Como Mourinho superou decadência para voltar a ser o "rei da Inglaterra"

Acabado? José Mourinho está dando a volta por cima no Tottenham - Getty Images
Acabado? José Mourinho está dando a volta por cima no Tottenham Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

28/11/2020 04h00

"José Mourinho está acabado." "O 'Special One' deu lugar para o 'Normal One'". "Ele está preso a ideias do passado e não consegue mais reagir às mudanças do futebol contemporâneo". "Seu destino para os próximos anos é trabalhar em equipes cada vez menores."

Se você curte futebol internacional, certamente andou lendo ou ouvindo frases como essas nos últimos tempos sobre o vitorioso treinador português, vencedor de três títulos ingleses, um espanhol e duas edições da Liga dos Campeões ao longo de duas décadas de carreira.

Só que, depois de uma passagem decepcionante pelo Manchester United, o experiente português de 57 anos parece estar com sangue nos olhos para provar que todos aqueles que decretaram precocemente seu fim estão errados.

No comando do Tottenham, time que até foi vice-campeão europeu duas temporadas atrás, mas que não levanta um troféu há 12 anos e festejou seu mais recente título de liga nacional em 1984, Mou voltou a ser o cara da Premier League, o campeonato nacional mais badalado do planeta.

Os londrinos entraram na décima rodada, que está sendo disputada neste fim de semana, como o time a ser batido na Inglaterra. Apesar dos mesmos 20 pontos do Liverpool, ocupavam a liderança por terem melhor saldo de gols (12 a 5).

E, para colocar o Tottenham em condições de brigar com os outros gigantes ingleses, Mourinho se reinventou.

Chamado de "rei da retranca" durante toda a carreira, ele montou um time que continua forte na defesa (a menos vazada dentro os 20 participantes da primeira divisão), mas que não deixa nada a desejar também no ataque.

O setor ofensivo do Tottenham era o segundo mais produtivo da Premier League até o início da rodada. Com 21 gols marcados em nove partidas (média de 2,33 por partida), só estava um atrás da marca do Chelsea.

Goleadas, um artigo quase proibido em alguns dos antigos trabalhos de Mou, têm sido frequentes nesta temporada. Só nos últimos dois meses e meio, os Spurs fizeram 6 a 1 no Manchester United, 5 a 2 no Southampton, 7 a 2 no Maccabi Haifa e 4 a 0 no Ludogorets.

Os principais responsáveis por essa fartura são Heung-min Son e Harry Kane, que já eram os protagonistas da equipe antes da chegada do português e vivem fases espetaculares.

O sul-coreano é o vice-artilheiro do Inglês, com nove gols, e já meteu 11 bolas nas redes na soma de todas as competições. Já o capitão comemorou 13 tentos seus e distribuiu assistências (recorde de passes para gol de toda sua carreira em uma única temporada).

Com as engrenagens funcionando muito bem, a equipe dirigida pelo português ocupa a vice-liderança do seu grupo na Liga Europa e eliminou o Chelsea na rodada de abertura da Copa da Liga. Ou seja, está viva em todos os torneios que disputa.

Amanhã, Mourinho e o Tottenham têm um confronto direto entre candidatos ao título inglês desta temporada. A partir das 13h30 (horário de Brasília), encara um dérbi londrino contra o Chelsea, que só está dois pontos atrás.

Depois de mais um compromisso pela Liga Europa na quinta-feira, contra o LASK, na Áustria, os Spurs terão outro clássico pela frente no próximo fim de semana, ante o Arsenal, tradicionalmente o seu principal rival.