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Rafael Reis

Com racismo, lesões e falta de Champions, Rússia vira "inferno" para Malcom

Malcom tem sofrido com problemas físicos desde a chegada no Zenit - Reprodução/Twitter/Zenit
Malcom tem sofrido com problemas físicos desde a chegada no Zenit Imagem: Reprodução/Twitter/Zenit
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

21/11/2020 04h00

Malcom achou que estava fazendo um ótimo negócio quando trocou o Barcelona pelo Zenit São Petersburgo, em agosto do ano passado.

A transferência fazia todo sentido. O atacante brasileiro deixaria um time em que quase não era aproveitado para assumir a titularidade de uma equipe que, assim como a catalã, costuma brigar por títulos anualmente e bate cartão em todas as temporadas da Liga dos Campeões.

Com isso, poderia ter a oportunidade de receber mais convocações para a seleção e, futuramente, retornar para um centro mais expressivo da Europa como um nome mais relevante no cenário internacional.

Mas, 15 meses depois da mudança, a passagem do ex-jogador do Corinthians pela Rússia está longe de ser o paraíso que ele imaginava. Alvo de racismo e com seguidos problemas físicos, Malcom está vivendo uma espécie de inferno pessoal no maior país do mundo.

As dificuldades começaram assim que o atacante assinou com o Zenit. Assim que souberam da contratação de Malcom, grupos extremistas postaram nas redes sociais mensagens reclamando da chegada de um jogador negro ao clube.

O racismo de torcedores do Zenit, que são famosos internacionalmente por rejeitarem negros, ofenderem homossexuais e defenderem aquilo que eles chamam de "valores do povo russo", ficou ainda mais evidente na primeira partida do brasileiro em Petersburgo.

Um grupo de ultras (torcida organizada) do clube levou ao estádio uma faixa com a frase "Obrigado dirigentes por acreditar na tradição", uma clara ironia à contratação de Malcom. Na época, o jogador e também o Zenit minimizaram o incidente.

As ofensas diminuíram com o passar do tempo, mas aí o atacante de 23 anos se deparou com um outro problema: seu corpo.

Na temporada passada, o camisa 8 chegou a ficar quatro meses parado devido a uma contusão no tendão da coxa esquerda. Nesta, já está fora de ação há mais de 30 dias em virtude de uma lesão no joelho.

Graças a essas longas passagens pelo departamento médico, Malcom tem se privado de momentos importantes do Zenit. Um exemplo: ele até hoje não conseguiu defender a equipe russa na Champions.

O brasileiro estava machucado em simplesmente todas as nove partidas disputadas por seus companheiros no torneio interclubes mais importante do planeta desde sua chegada à agremiação.

No total, Malcom tem 26 jogos, cinco gols e quatro assistências com a camisa do time de São Petersburgo. Ele já levantou dois troféus: o Campeonato Russo e a Copa da Rússia na temporada passada.

Seus seguidos problemas físicos têm feito a diretoria buscar a contratação de novos jogadores para sua posição. Um deles é o brasileiro Hulk, que já passou pelo clube e ficará livre no Mercado da Bola depois do fim do seu contrato com o Shanghai SIPG, no fim do ano.

O Zenit é o atual bicampeão nacional e, nesta temporada, está disputando a liderança contra CSKA e Spartak Moscou. Já na Liga dos Campeões, somou só um ponto nas três primeiras rodadas e ocupa a lanterna do Grupo F.

Na terça-feira, visita a Lazio, na Itália, e tem sua última chance de iniciar uma reação que ainda possa levá-lo à fase final. Borussia Dortmund (Alemanha) e Brugge (Bélgica) são seus outros adversários na chave.