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Rafael Reis

Há 210 seleções de futebol no mundo; só duas têm técnicos brasileiros

Valdo disputou duas Copas do Mundo como jogador; agora, dirige a seleção do Congo - Reprodução
Valdo disputou duas Copas do Mundo como jogador; agora, dirige a seleção do Congo Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

20/11/2020 04h00

Foi-se o tempo em que os treinadores brasileiros bombavam em seleções estrangeiras e que a Copa do Mundo era um festival de equipes comandadas por representantes do único futebol pentacampeão do planeta.

Se os treinadores tupiniquins andam em baixa (e vêm sendo substituídos por sul-americanos, portugueses e espanhóis) até mesmo nos clubes daqui, o cenário lá fora é ainda mais adverso para os professores que falam português com sotaque sul-americano.

Mas se países como Portugal, Arábia Saudita e África do Sul, que até pouco tempo atrás ainda deixavam suas seleções em mãos brasileiras, já desistiram de empregar os "professores" da terra de Pelé e cia., ainda devem existir nações na periferia da bola que apostam suas fichas na escola mais vitoriosa da história, né?

Bem, o "Blog do Rafael Reis" também acreditava nisso e mergulhou no sistema disponível no site da Fifa para pesquisar quantas e quais seleções masculinas de futebol atualmente são comandadas por técnicos do "país do futebol".

A resposta para essas perguntas foi surpreendente. Com exceção do Brasil, que é dirigido por Tite, apesar de várias campanhas surgidas nas redes sociais ao longo dos últimos anos pedindo treinadores estrangeiros, somente um dos 210 países filiados à entidade tem alguém nascido por aqui à frente do seu time nacional principal masculino.

A República do Congo, ex-colônia francesa localizada na costa oeste da África, cuja seleção jamais disputou uma Copa do Mundo e ocupa atualmente a 93ª colocação no ranking da Fifa, é a única exceção na regra de que os treinadores brasileiros estão em baixa no mercado internacional da bola.

O time é dirigido desde 2018 pelo ex-meia Valdo, que defendeu Grêmio, Cruzeiro e Santos, foi ídolo do Paris Saint-Germain na década de 1990 e disputou duas edições de Copa do Mundo: México-1986 e Itália-1990.

O ex-jogador trabalhou como técnico apenas em equipes pequenas aqui no Brasil, como União Rondonópolis e Maringá, e foi convidado pelos africanos por ser um nome conhecido internacionalmente e pela fluência em francês.

Valdo inicialmente ganhou a missão de dirigir os times de base do Congo e, depois, foi promovido para a equipe principal. Sob seu comando, a seleção teve um desempenho bem pobre nas eliminatórias da Copa Africana de Nações-2019, com uma vitória em seis jogos.

Mas no qualificatório para a próxima edição do torneio continental, que será disputada em 2021, a situação tem sido bem diferente. Faltando duas rodadas para o encerramento do Grupo I, o Congo ocupa a vice-liderança da chave, com quatro pontos de vantagem para o terceiro colocado, e só está atrás do Senegal, de Sadio Mané.

Como os dois primeiros de cada grupo conseguem a classificação para a CAN, Valdo está bem perto de classificar o país para um torneio que ele até venceu lá em 1972, mas que só disputou duas vezes neste século (2000 e 2015).

Quem sabe uma boa campanha do ex-meia no Congo, pode reabrir o mercado africano para técnicos brasileiros. Porque as oportunidades para compatriotas de Tite no exterior andam bem pequenininhas.

As Ilhas Virgens Americanas, que ocupam a 207ª colocação no ranking da Fifa, também contam com um treinador que possui passaporte verde e amarelo. Mas Gilberto Damiano, filho de brasileiro que dirige a seleção desde o ano passado, nasceu e construiu sua carreira no arquipélago caribenho que pertence aos Estados Unidos.