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Rafael Reis

"Vida útil" de técnico no Brasil é até 4 vezes menor que na elite da Europa

Domenec Torrent só ficou três vezes no comando do Flamengo - Jorge Rodrigues/AGIF
Domenec Torrent só ficou três vezes no comando do Flamengo Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

11/11/2020 04h00

O tempo médio de permanência de um treinador em um clube que disputa a primeira divisão do Campeonato Brasileiro é até quatro vezes menor do que a "vida útil" dos comandantes que trabalham na elite do futebol europeu.

Levantamento feito pelo "Blog do Rafael Reis" mostra que os 20 técnicos que atuam na Série A nacional estão em média há apenas 5,2 meses no cargo. Isso é uma mixaria quando comparado ao mesmo dado das principais ligas nacionais do Velho Continente.

Na Inglaterra, país onde Alex Ferguson dirigiu o Manchester United por 27 anos e Arsène Wenger esteve no comando do Arsenal durante 22 temporadas, os treinadores da Premier League estão em média empregados há 29,5 meses, quase o sêxtuplo do tempo dos brasileiros.

Nos outros países do primeiro escalão da Europa, a situação não é muito diferente. Na Espanha, a média de permanência é de 25,5 meses. Na França, 24,8 meses. E na Alemanha, 20,9 meses.

Mesmo na Itália, o futebol da elite continental onde os dirigentes são mais impacientes e precisam de menos tropeços para saírem "cortando cabeças", a estabilidade dos treinadores é muito maior que no Brasil: 16,2 meses.... quase um ano e meio de média.

Para piorar, a "vida útil" dos técnicos da Série A do único país pentacampeão mundial só consegue chegar ao patamar de cinco meses porque é inflado pelos números de Renato Gaúcho. O ex-atacante está à frente do Grêmio desde 2016 e é, de longe, o mais longevo da primeira divisão do futebol nacional.

Sem ele, a média de permanência dos técnicos que atuam no Brasil cai para módicos três meses.... não, você não leu errado, três meses.

Foi esse o tempo que o catalão Domènec Torrent ficou à frente do Flamengo, atual campeão nacional e da Libertadores, até ser demitido na última segunda-feira, mesmo ocupando a terceira colocação da Série A e estando a um ponto da ponta

Outros dois clubes do Brasileiro trocaram de treinador neste começo de semana. O Inter, líder da competição, viu Eduardo Coudet se mandar para a Espanha para comandar o Celta. Já o Fortaleza perdeu Rogério Ceni para o Fla, que precisava de um novo nome para seu banco de reservas.

Nada menos que 14 equipes da Série A mudaram de comando há menos de três meses. Como comparação, o último dos 20 clubes que atualmente estão na primeira divisão inglesa a mudar a comissão técnica o fez lá em fevereiro.

Por outro lado, só Renato e Fernando Diniz (São Paulo) já completaram aniversário de um ano no mesmo time por aqui —Odair Hellmann, o terceiro mais longevo do país, assumiu o Fluminense em janeiro.

Na Liga dos Campeões da Europa, o exato oposto da impaciência que reina do Brasil, 28 dos 32 clubes participantes da fase de grupos já ultrapassaram a barreira de 12 meses sob mesmo comando. E não há derrotas ou goleadas que alterem esse cenário.

TEMPO MÉDIO DE PERMANÊNCIA DE TÉCNICOS EM UM CLUBE:

Campeonato Brasileiro: 5,2 meses
Campeonato Italiano: 16,2 meses
Campeonato Alemão: 20,9 meses
Campeonato Francês: 24,8 meses
Campeonato Espanhol: 25,5 meses
Liga dos Campeões da Europa: 26,3 meses
Campeonato Inglês: 29,5 meses