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Rafael Reis

Na Inglaterra, ex-seleção condenado por abuso sexual não consegue time

Adam Johnson defendeu a seleção inglesa e o Manchester City antes de ser preso por estupro - Shaun Botterill/Getty Images
Adam Johnson defendeu a seleção inglesa e o Manchester City antes de ser preso por estupro Imagem: Shaun Botterill/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

15/10/2020 04h00

Em fevereiro, o Bangor City, time semiprofissional que disputa a segunda divisão do futebol do País de Gales, precisou ir a público para desmentir os rumores que estaria negociando a contratação do meia Adam Johnson.

E a nota oficial não foi a única atitude do modesto clube britânico quando viu seu nome conectado ao do ex-atleta do Manchester City e da seleção inglesa. A agremiação também acionou a polícia e pediu uma investigação para descobrir a origem da "fake news".

A reação extremada a algo que parece corriqueiro no cotidiano do futebol, os rumores pouco infundados a respeito da busca por reforços no Mercado da Bola, tem uma explicação: o histórico sexual/criminal do jogador de 33 anos.

Adam Johnson está em liberdade condicional, mas ainda cumpre pena por abuso sexual de menores. Em 2016, ele foi condenado a seis anos de prisão por ter tido relações com uma menina de 15 anos, algo que é considerado crime no Reino Unido, mesmo se o ato tiver sido consentido.

O astro inglês sempre negou a acusação. Ele admite que flertou com a garota através de mensagens por celular e que também chegou a beijá-la. No entanto, afirma que a relação entre eles parou por aí.

Na época em que o caso aconteceu, Johnson já não vinha mais sendo convocado pela seleção inglesa, mas ainda era a principal estrela do Sunderland na Premier League. Além disso, sua esposa estava grávida.

Após julgamento, o meia que iniciou a carreira no Middlesbrough, atuou no City entre 2010 e 2012 e jogou 12 vezes pelo English Team, foi para a prisão e permaneceu em regime fechado durante três anos.

Em março do ano passado, depois de cumprir metade da pena a que foi condenado, ganhou direito à liberdade condicional e começou a tentar reconstruir sua carreira como jogador de futebol.

Mas encontrou todas as portas fechadas. Os 92 clubes que disputam as quatro divisões profissionais da Inglaterra já deixaram claro que consideram Johnson um jogador com a história manchada e que não pretendem contratá-lo.

Por estar ainda cumprindo pena, o meia não pode viajar para o exterior e nem atuar fora do Reino Unido. Por isso, jogar em Gales (ou na Escócia ou na Irlanda do Norte), como sugerido pela história apresentada no início do texto, poderia ser uma opção.

Enquanto na Inglaterra jogadores com condenações judiciais têm muita dificuldade para dar continuidade à carreira (o atacante Ched Evans chegou a ficar quatro anos sem jogar até ser absolvido de uma acusação de estupro), a situação no Brasil é bem diferente.

O goleiro Bruno, condenado a 20 anos e nove meses de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver de sua ex-companheira Eliza Samudio, está disputando a Série D pelo Rio Branco (AC).

Já o Santos anunciou no último fim de semana o retorno do atacante Robinho, que responde por crime de estupro e já foi condenado a nove anos de prisão em primeira instância pela Justiça italiana.

A contratação do jogador, que estava no Istambul Basakeshir, da Turquia, repercutiu bastante nas redes sociais e provocou uma onda de críticas, muitas delas feitas por torcedores da própria equipe.