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Dois anos após deixar São Paulo, Aguirre já se prepara para volta ao Brasil

Diego Aguirre, técnico do Al-Rayyan, já se prepara para 4ª passagem pelo futebol brasileiro - Divulgação
Diego Aguirre, técnico do Al-Rayyan, já se prepara para 4ª passagem pelo futebol brasileiro Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

28/09/2020 04h00

Quando não está em campo treinando o Al-Rayyan ou comandando a equipe em compromissos do Campeonato Qatariano e da Liga dos Campeões da Ásia, Diego Aguirre costuma ficar em casa assistindo a alguma partida do futebol brasileiro.

Mas engana-se quem pensa que acompanhar a quantas andam equipes do porte de Corinthians, Flamengo e Palmeiras é apenas um mero passatempo para o técnico uruguaio de 55 anos no Oriente Médio.

Na verdade, Aguirre está se preparando para o futuro. Um futuro que ele ainda não sabe ao certo quando irá chegar, mas que tem certeza que um dia acontecerá.

"Vou ter uma outra experiência no Brasil. Não sei se vai ser daqui a pouco ou se vai demorar um pouco mais. Já recusei várias propostas. Mas sei que receberei outras e que acabarei aceitando", afirmou, em entrevista por telefone ao "Blog do Rafael Reis".

Ex-atacante de Internacional, São Paulo e Portuguesa entre o fim da década de 1980 e o começo dos anos 1990, o uruguaio trabalhou três vezes no país desde que pendurou as chuteiras e assumiu um lugar no banco de reservas.

Em 2015, depois de 13 anos de carreira rodando por diferentes países da América do Sul e também já tendo trabalhado no Qatar, Aguirre comandou o Inter durante oito meses, foi campeão gaúcho e chegou até as semifinais da Libertadores.

Ele voltou ao Brasil já na temporada seguinte. Mas sua passagem pelo Atlético-MG foi bem menos vitoriosa do que pelo Rio Grande do Sul. No Campeonato Mineiro, perdeu o título para o América. Já na Libertadores, parou nas quartas.

Seu trabalho mais recente no país foi no São Paulo. Em 2018, dirigiu a equipe tricolor entre março e novembro. Apesar de não ter conquistado nenhum título, teve algumas boas atuações e recuperou a esperança de um torcedor que estava completamente descrente com seu time de coração.

Até hoje, ainda há gente no Morumbi que questiona sua saída e que defende que o melhor caminho para o clube teria sido a manutenção do uruguaio.

"Eu sempre soube como as coisas funcionam no Brasil. É claro que tive momentos difíceis, mas prefiro focar nas coisas positivas e nas grandes lembranças que construí. Em algum momento, talvez tenham sido injustos comigo, mas isso é algo que faz parte do trabalho. Os treinadores são sempre os culpados pelo que está acontecendo de ruim."

Segundo Aguirre, a melhor forma de lidar com essas incertezas e injustiças da profissão é ser um técnico cada vez mais atualizado. E ele acredita que nisso a passagem atual pelo Qatar é algo que está ajudando muito.

"É óbvio que todo mundo vem para cá por causa da questão financeira. Mas o momento do país é muito positivo por causa da Copa do Mundo. Há muitos treinadores de muitas partes do mundo, especialmente da Europa, trabalhando por aqui. Então, é uma grande experiência futebolística."

Dez dos 12 times da primeira divisão qatariana são comandados por estrangeiros. São dois espanhóis (um deles, o ex-meia Xavi Hernández), dois marroquinos, um sérvio, um montenegrino, um inglês, um islandês, um tunisiano e Aguirre dirigindo os times do país que vai receber o Mundial em 2022.

O uruguaio está à frente do Al-Rayyan desde 2019. Na temporada passada, perdeu o título para o Al-Duhail na última rodada e acabou como vice-campeão. Já na Champions asiática, perdeu para o Esteghlal, do Irã, na fase preliminar da competição.