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Vivi racismo em todos os países onde joguei, diz brasileiro líder na França

Raphinha é um dos destaques do Rennes, líder do Campeonato Francês - SEBASTIEN BOZON/AFP
Raphinha é um dos destaques do Rennes, líder do Campeonato Francês Imagem: SEBASTIEN BOZON/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

23/09/2020 04h00

O caso de suposto racismo sofrido por Neymar no clássico entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha, há dez dias, ainda não chegou ao fim. O atacante já cumpriu os dois jogos de suspensão por ter agredido o zagueiro espanhol Álvaro González com um tapa na cabeça. No entanto, ainda não há um consenso sobre as palavras ditas pelo defensor, e o espanhol continua em investigação.

Mas o camisa 10 do PSG não é uma voz isolada nos relatos de ofensas raciais em partidas de futebol no Campeonato Francês. Outro brasileiro que tem se destacado na Ligue 1 também já foi alvo de preconceito racial no país vencedor da última Copa do Mundo.

"Nunca aconteceu comigo o que aconteceu com o Neymar, de sofrer racismo vindo de um companheiro dentro de campo. Espero que nunca aconteça. Mas já vi torcedores nas arquibancadas fazendo barulho de macaco para mim... aqui na França, inclusive", afirmou, por telefone, o meia-atacante Raphinha, do Rennes.

"Quando isso acontece, o que tento fazer é focar na partida e não dar muita atenção para o que está rolando fora de campo. Mas é complicado. Infelizmente, esse tipo de coisa acontece bastante. É uma falta de respeito enorme", disse o jogador.

Raphinha está atualmente em sua segunda temporada na França. Antes, atuou no Avaí e no futebol português (Vitória de Guimarães e Sporting). "Vivi esse racismo de arquibancada em todos os países onde joguei, até nas categorias de base aí do Brasil."

A forma como o meia-atacante normalmente tenta responder a essas provocações e demonstrações de ódio é com seu futebol. E ele anda bem em dia.

O brasileiro é um dos destaques do Rennes, que ainda está invicto nesta temporada (três vitórias e um empate) e divide com o Saint-Étienne a liderança do Campeonato Francês. Além disso, vai disputar pela primeira vez na carreira a Liga dos Campeões da Europa.

A classificação inédita para a Champions, aliás, também pode ser depositada na sua conta. Na temporada passada, ele foi o terceiro artilheiro do time (sete gols) e o segundo que mais distribuiu assistências (cinco passes precisos).

Nessa temporada, seu objetivo pessoal é melhorar ainda mais essas marcas. "Claro que meu primeiro desejo é jogar bem e ajudar meu time a evoluir. Mas também tenho minha meta, que é fazer dez gols e dar dez assistências."

E Raphinha pretende alcançar esses números não só para tentar fazer o Rennes brigar por títulos na França, mas também para impressionar Tite e os técnicos que trabalham no Campeonato Inglês.

"Todo brasileiro tem o sonho de jogar na seleção e comigo não é diferente. Sei que jogo em uma posição com bastante concorrência, mas acredito no meu potencial. Vim para a França com o pensamento de sempre evoluir. E isso também inclui ir para clubes maiores. A Premier League é o campeonato mais forte do mundo e tenho esse desejo de jogar lá."

A próxima rodada do Francês terá um confronto direto pela ponta. Saint-Étienne e Rennes, os dois times que mais somaram pontos nas quatro primeiras jornadas da competição, medem forças no sábado.

Já o PSG, atual tricampeão nacional e favorito para ficar com a taça mais uma vez, joga no domingo contra o Reims. A equipe de Neymar desta vez não largou tão bem na Ligue 1: com duas vitórias e duas derrotas, tem seis pontos e ocupa a oitava posição.