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Rafael Reis


Por que herói da Copa-14 tem só 28 anos, mas já parece em fim de carreira?

Mario Götze assiste do banco de reservas a partida do Borussia Dortmund - Alex Gottschalk/DeFodi Images via Getty Images
Mario Götze assiste do banco de reservas a partida do Borussia Dortmund Imagem: Alex Gottschalk/DeFodi Images via Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

29/06/2020 04h00

Mario Götze tinha acabado de completar 22 anos quando decidiu a Copa-2014 e deu o tetracampeonato mundial para a seleção alemã.

O gol nos acréscimos na decisão contra a Argentina, no Maracanã, parecia ser um cartão de visitas de um jogador fadado a permanecer no topo durante um longo tempo e talvez até brigar pelo prêmio de melhor do planeta. Mas nada disso sequer passou perto de acontecer.

O meia-atacante se despede oficialmente amanhã do Borussia Dortmund. O vice-campeão da Alemanha nesta temporada decidiu não renovar o contrato de Götze, que poderá assinar com outro time sem que sua antiga equipe receba sequer um centavo como compensação financeira.

A diretoria aurinegra optou por liberar o camisa 10 por considerar que ele já não corresponde mais dentro de campo. Apesar de ainda ter 28 anos, mesma idade de Neymar, por exemplo, o herói germânico de 2014 parece mais um veterano em fim de carreira do que um jogador no auge da forma física e técnica.

Na recém-encerrada temporada alemã, Götze só foi titular em sete das 45 partidas disputadas pelo Dortmund. Em 18 oportunidades, começou no banco de reservas e por lá permaneceu até o apito final.

Mesmo jogando em um time que marca muitos gols (102, na soma de todas as competições de 2019/20), foi às redes em apenas três oportunidades e distribuiu uma mísera assistência em 609 minutos de futebol.

E o desempenho ao longo da última temporada não foi um mero escorregão, daqueles em que é fácil de levantar novamente. Desde que fez o gol do título mundial da Alemanha, Götze vem em uma queda livre constante.

Em 2016, três anos após chegar ao Bayern de Munique, foi negociado de volta com o Dortmund, clube onde havia sido revelado, porque não conseguia se firmar entre os titulares da equipe bávara.

Seis meses depois, Götze descobriu que sofria de miopatia metabólica, doença muscular responsável por enfraquecer os membros do corpo e que lhe causava fortes dores quando ele praticava exercícios físicos.

O camisa 10 passou por um longo tratamento para vencer a doença e poder exercer sem sofrimento sua atividade profissional. Mesmo assim, continuou sofrendo com uma rotina de problemas físicos e médicos.

Só nas últimas três temporadas, Götze desfalcou o Dortmund por lesões musculares, dores nas costas, gripe, bronquite, fratura na costela e ruptura de ligamento no tornozelo.

"Mario precisa jogar, depois jogar de novo e de novo. Somente assim, poderemos ver o 'velho Mario' de novo. Mas, no Dortmund, isso é impossível devido à concorrência no ataque. Faz muito sentido que Mario deixe o Dortmund. Desejo que ele tenha muito sucesso", disse o técnico Jürgen Klopp, que revelou Götze e hoje comanda o Liverpool, em entrevista à Sky Alemanha.

O destino do herói do último título mundial alemão está indefinido. Apesar do jornal germânico "Bild" ter publicado que o Atlético de Madri tem interesse em contratá-lo, é pouco provável que o jogador vista uma camisa tão pesada assim na próxima temporada.

Götze também já teve seu futuro ligado a Hertha Berlim e Eintracht Frankfurt. Também estuda a possibilidade de se transferir para a MLS (Major League Socccer), o principal campeonato profissional de futebol dos Estados Unidos.

Rafael Reis