PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Rafael Reis


Ídolo na Coreia, ex-Corinthians vai tentar fugir dos abraços depois de gols

Júnior Negão, centroavante do Ulsan Hyundai - Divulgação
Júnior Negão, centroavante do Ulsan Hyundai Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

08/05/2020 04h20

Quando Júnior Negão entrar em campo amanhã para enfrentar o Sangju Sangmu, pela primeira rodada do Campeonato Sul-Coreano, ele experimentará uma situação inédita na carreira.

O atacante brasileiro do Ulsan Hyundai, que já marcou 61 gols desde de janeiro de 2017, quando desembarcou no país, não poderá comemorar junto com os seus companheiros de time caso balance novamente as redes.

Proibir que os gols sejam festejados em grupo é apenas umas das medidas tomadas pela Coreia do Sul para conseguir retomar seu futebol depois da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que infectou mais de dez mil pessoas e provocou pelo menos 254 mortes por lá.

"Vou tentar não abraçar ninguém na hora do gol porque sei que isso é o certo a se fazer. Mas, na hora da emoção, a gente não pensa direito. Então, não sei se vou conseguir", afirmou o centroavante de 33 anos, que fez parte do elenco do Corinthians na campanha do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2007 e hoje é ídolo do outro lado do mundo.

Além de evitar o contato físico na hora de comemorar os gols e as vitórias, Júnior Negão e os outros jogadores da K-League estão proibidos de se cumprimentar usando as mãos e, até mesmo, de conversar em campo.

Os atletas e integrantes das comissões técnicas também serão testados periodicamente para a Covid-19. Se algum desses exames der positivo, o contaminado e também todos os seus companheiros de time entrarão em quarentena de duas semanas e terão suas partidas adiadas.

"Já estava na hora de voltar. Estamos ansiosos para isso", disse o brasileiro.

Essa ansiedade toda tem uma explicação. O Ulsan Hyundai, atual vice-campeão nacional, está há quatro meses fazendo pré-temporada e se preparando para o início do Sul-Coreano.

Júnior Negão e seus companheiros voltaram aos treinos no começo de janeiro, disputaram uma partida pela Liga dos Campeões da Ásia (contra o FC Tokyo, do Japão), em 11 de fevereiro, e imaginavam que estreariam na K-League no dia 29 do mesmo mês.

Mas aí veio a pandemia, e o pontapé inicial da competição foi sendo adiado, adiado, adiado...

"Nós não paramos de treinar sequer um dia. Como a região onde estamos não foi muito afetada pelo coronavírus e não sabíamos ao certo quando seria nosso próximo jogo, não interrompemos as atividades. A cidade parou e os comércios fecharam, mas eu ia todo dia treinar".

Depois da pré-temporada mais longa de sua vida, Júnior Negão entra na disputa da K-League com dois objetivos: fazer o Ulsan Hyundai encerrar um jejum de 15 anos sem vencer a competição e, enfim, conquistar a artilharia da liga.

Nos dois últimos anos, o brasileiro bateu na trave nessa meta individual. Em 2018, ficou em terceiro na tabela dos goleadores. No ano passado, marcou 19 vezes, subiu mais um lugar no pódio e ficou a um gol da marca do australiano Andy Taggart, do Suwon Samsung Bluewings.

A temporada 2020 do Sul-Coreano começou hoje (8) e, se o calendário for integralmente respeitado, vai até o dia 8 de novembro. O Pohang Steelers é o maior vencedor da história do país, com oito títulos. Atual tricampeão nacional, o Jeonbuk Hyundai tem uma taça a menos e sonha em igualar esse recorde.

Rafael Reis