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Rafael Reis


Medo de urso fez ídolo do Chelsea recusar proposta russa e largar carreira

John Terry comemora gol do Chelsea contra o Watford pelo Campeonato Inglês em maio de 2017 - Hannah McKay/Reuters
John Terry comemora gol do Chelsea contra o Watford pelo Campeonato Inglês em maio de 2017 Imagem: Hannah McKay/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

30/04/2020 04h20

Classificação e Jogos

Ex-capitão da seleção da Inglaterra e um dos jogadores mais importantes da história do Chelsea, o ex-zagueiro John Terry pendurou as chuteiras há dois anos. Mas, se não fosse sua filha, teria estendido um pouco mais a carreira e talvez ainda estivesse atuando profissionalmente.

Em 2018, quando seu contrato com o Aston Villa chegou ao fim, o agora auxiliar técnico da equipe inglesa recebeu uma proposta para se transferir à Rússia e defender o Spartak Moscou.

Terry, então com 38 anos, gostou da ideia de jogar no país que havia acabado de receber a Copa do Mundo e deu sua palavra de que o negócio seria fechado. Mas, quando o acordo estava prestes a ser assinado, sua filha mudou os rumos da negociação.

"O diretor da escola ligou para John e disse que a sua filha estava jogada no chão, gritando: 'Papai está indo para Moscou. Há ursos polares andando na rua. Ele nunca mais voltará'", contou o empresário Marco Trabukki, em entrevista ao canal de YouTube "Comment Show".

A crise nervosa provocada pelo medo de ursos da filha convenceu Terry a abdicar das ideias de continuar jogando profissionalmente, mudar-se para a Rússia e defender o Spartak.

O jogador alegou "problemas familiares" para romper o acordo verbal que tinha com o clube moscovita. Ele conversou pessoalmente com o dono do Spartak, Leonid Fedun, explicou os motivos da recusa e pediu desculpas pelo ocorrido

Meses depois, anunciou a aposentadoria e arranjou um emprego na comissão técnica do Aston Villa, time que ocupava a penúltima colocação do Campeonato Inglês quando a competição foi paralisada em virtude da pandemia do novo coronavírus (covid-19), no começo de março.

Revelado nas categorias de base do Chelsea, onde chegou com 15 anos, Terry atuou na equipe principal dos Blues entre 1998 e 2017, com exceção de um curto período em 2000, em que esteve emprestado ao Nottingham Forest.

Terceiro jogador que mais vestiu a camisa do time londrino (717 partidas oficiais), o ex-zagueiro foi o capitão de algumas das conquistas mais importantes da história do clube: a Liga dos Campeões da Europa, na temporada 2011/2012, e cinco títulos ingleses.

Pela Inglaterra, disputou 78 jogos entre 2003 e 2012. Ele participou de duas edições da Copa do Mundo (2006 e 2010) e da Euro (2004 e 2012). A lenda do Chelsea também chegou a usar a braçadeira da seleção, mas foi destituído da função depois de uma polêmica que marcou sua carreira.

Em 2010, meses antes do Mundial da África do Sul, a imprensa britânica publicou que Terry havia tido um caso extraconjugal com Vanessa Perroncel, que era esposa do então lateral esquerdo Wayne Bridge, seu ex-companheiro no Chelsea e parceiro na seleção.

A história virou uma novela midiática de grandes proporções. Quando o ex-zagueiro e Bridge se encontraram em campo, em um jogo válido pelo Campeonato Inglês, o suposto traidor estendeu a mão para cumprimentar o ex-lateral, mas foi solenemente ignorado por ele.

A cena rodou o mundo e fez Terry se tornar ainda mais conhecido, mesmo que não por um bom motivo.

Rafael Reis