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Rafael Reis

Novo astro do Boca fugiu de casa pelo futebol, morou na rua e passou fome

Jorman Campuzano é um dos destaques da versão 2020 do Boca Juniors - Reprodução
Jorman Campuzano é um dos destaques da versão 2020 do Boca Juniors Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

07/04/2020 04h00

Jorman Campuzano é um volante que tem lugar cativo no meio-campo do Boca Juniors. Aos 23 anos, ele já vale alguns milhões de euros e começa a despertar a atenção de clubes do primeiro escalão da Europa.

Mas antes de se tornar um astro do futebol sul-americano, o colombiano viveu na pele a miséria humana. Ele fugiu a casa para tentar a carreira nos gramados, foi morador de rua e até passou fome.

Campuzano nasceu e cresceu em Tamalameque, uma pequena cidade com cerca de 13 mil habitantes, que fazia parte do território dominado pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Seu pai, o professor de química do colégio do vilarejo, não queria ver o filho seguindo a carreira nos gramados e restringia bastante o tempo que o garoto podia se dedicar a jogar bola.

Aos 15 anos, o hoje camisa 21 do Boca conseguiu convencer os pais a se mudar para Bogotá, a capital colombiana, em busca de oportunidades maiores de virar atleta profissional de futebol. O acordo era claro: ele teria de morar com um tio e continuar frequentando a escola.

"Tive que me afastar da família para poder jogar futebol. Na minha cidade, não conseguiria crescer como jogador", disse o volante, em entrevista ao jornal argentino "Olé".

O pacto firmado com os parentes que ficaram em Tamalameque durou pouco. Logo, Campuzano parou de ir às aulas e começou a arranjar brigas pelas ruas de Bogotá. Depois de uma delas, simplesmente fugiu de casa.

"Fui embora e passei uns dez dias dormindo na rua, debaixo da ponte. Só então consegui entrar em contato com um amigo que vivia na cidade e que me ajudou muito", afirmou.

Nesse período, o colombiano passou muita fome. Foi implorando por um prato de comida em um restaurante especializado em frango que ele conseguiu seu primeiro emprego... e também uma chance de ficar mais próximo do futebol.

Campuzano passou a trabalhar por lá, lavando pratos e entregando pedidos. Além disso, ingressou no time dos funcionários da empresa, onde rapidamente começou a se destacar e despertar a atenção de olheiros.

O convite para jogar no Banfield, da Argentina, não deu muito certo e lhe custou o pouquinho de dinheiro que havia juntado no restaurante. Para custear a viagem para o teste em outro clube, o Deportivo Pereira, o volante teve de vender seu telefone celular.

O investimento valeu à pena. Campuzano foi aprovado na peneira e estreou como profissional em 2015. Três anos depois, foi negociado com o Atlético Nacional. Em 2019, assinou com o poderoso Boca Juniors e estreou pela seleção principal da Colômbia.

"Quando se tem um sonho, é preciso lutar por ele. Eu venci todas as dificuldades, inclusive viver na rua e ir dormir sem comer, só com água no estômago e tendo de enfrentar a fome o dia todo", disse o jogador, ao diário argentino "La Nación".

Campuzano só assumiu a titularidade do Boca no começo deste ano e foi essencial na reta final da campanha que terminou com a conquista do título argentino. Ele começou jogando as últimas sete partidas da competição e, em cinco delas, permaneceu em campo durante todos os 90 minutos.

O bom desempenho já começou a atrair a atenção de clubes do exterior. De acordo com a imprensa argentina, Tottenham e Sevilla são dois dos times que têm acompanhado de perto a evolução do volante colombiano.

Campeão argentino, o Boca também é o vice-líder do Grupo H da Libertadores, com quatro pontos conquistados (vitória sobre o Independiente Medellín e empate com o Caracas). O Libertad, que tem 100% de aproveitamento, ocupa a ponta da chave.

Assista aos melhores momentos de Boca Juniors x Independiente Medellín