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Rafael Reis


Por que a Argentina foi o último país da América do Sul a parar o futebol?

River Plate posa para foto antes da partida contra o Binacional, com estádio vazio, pela Libertadores - Juan Mabromata/AFP
River Plate posa para foto antes da partida contra o Binacional, com estádio vazio, pela Libertadores Imagem: Juan Mabromata/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

18/03/2020 04h20

Classificação e Jogos

No último sábado, a delegação do Atlético Tucumán viajou até Buenos Aires para enfrentar o River Plate, pela Copa da Superliga argentina, mas não pode entrar em campo. Afinal, ao chegar ao Monumental de Núñez, encontrou o estádio trancado.

A decisão do atual vice-campeão da Libertadores de paralisar suas atividades futebolísticas em virtude da pandemia do novo coronavírus só ganhou amparo do poder público argentino na manhã de ontem.

Apesar de já ter mais de 50 casos confirmados de covid-19 e de ter registrado sua primeira morte pela doença há mais de dez dias, a Argentina foi o último país da América do Sul a suspender suas competições nacionais de futebol.

A decisão só foi oficializada na manhã de ontem, pelo ministro do Turismo e Esporte, Matías Lammens, ex-presidente do San Lorenzo, depois de uma pesada queda de braço entre o governo e o sindicato dos jogadores.

O governo argentino era contra a paralisação e defendia a ideia de que apenas restringir a presença de torcedores nos estádios já era uma medida suficiente para conter a proliferação do vírus. Além disso, não queria cortar mais uma opção de entretenimento da população.

No último domingo, o presidente Alberto Fernández chegou a dizer que o futebol seria uma diversão importante para os argentinos aguentarem o período em que terão de ficar reclusos em casa e defendeu que as transmissões fossem todas liberadas para a TV aberta.

Os jogadores não gostaram da declaração e passaram a se manifestar contra o mandatário pelas redes sociais por considerarem que ele estava ameaçando a saúde da categoria. Uma reunião sindical estava prevista para hoje e havia a possibilidade de eles entrarem em greve para não terem que continuar jogando.

A decisão estatal de suspender o futebol veio um dia antes. Pelo decreto, as competições argentinas ficarão suspensas pelo menos até o dia 31 de março, e os atletas serão liberados dos treinos em seus clubes.

Apenas quatro das dez federações associadas à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) ainda tiveram bola rolando no último fim de semana.

Chile e Bolívia anunciaram a paralisação dos seus campeonatos na segunda-feira, e o Brasil também congelou seus torneios nacionais —apenas alguns Estaduais continuam em andamento.

A Libertadores, principal competição interclubes do continente, e o início das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo-2022 já haviam sido suspensas na semana passada. Ontem, a Conmebol anunciou que a Copa América, que seria disputada entre julho e julho na Colômbia e na Argentina, será adiada para o inverno do próximo ano.

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) começou na China, mais ou menos na virada do ano, e se alastrou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) já havia quase 180 mil casos da doença em mais de 150 países. Os mortos já haviam passado de 7.400.

Rafael Reis