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Rafael Reis


Quais são as opções do futebol europeu para terminar a temporada 2019/20?

Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, entidade que gerencia o futebol europeu - Robert Hradil/Getty Images
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, entidade que gerencia o futebol europeu Imagem: Robert Hradil/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

17/03/2020 04h20

Esta semana será decisiva para a temporada 2019/20 do futebol europeu. Ainda que a bola continue sem rolar nas principais competições do continente em virtude da pandemia de coronavírus, muitas coisas importantes serão definidas ao longo dos próximos dias.

Os dirigentes dos clubes e ligas nacionais mais importantes do planeta irão se reunir (por teleconferência, é claro) para discutir como será o retorno do futebol depois que o pico das contaminações pelo covid-19 passar.

A decisão mais urgente é uma definição sobre a realização da Eurocopa-2020. A competição continua marcada para ser disputada entre os dias 12 de junho e 12 de julho. No entanto, provavelmente será adiada para o próximo ano ou até mesmo cancelada.

Após conversar com dirigentes de todas as suas federações filiadas, a Uefa deve se manifestar sobre o torneio continental ainda hoje.

A urgência é necessária. Afinal, o campeonato de seleções é a peça-chave para que todo o restante do quebra-cabeças de como vai ser reconstrução do futebol europeu pós-pandemia possa ser montado.

Se a Euro for adiada/cancelada, talvez haja tempo suficiente para que a reta final dos campeonatos nacionais (e também da Liga dos Campeões e da Liga Europa) seja ainda disputada durante a atual temporada.

É claro que isso dependeria de um declínio rápido da pandemia que viabilizasse a volta do futebol em, no máximo, 45 dias. Nesse cenário, as datas originalmente reservadas à Euro poderiam ser ocupadas pelos clubes, que jogariam até o começo de julho.

Mas se a onda de infecções persistir por mais tempo ou se a Uefa fizer questão de manter seu torneio quadrienal jogado neste ano, outras opções terão de ser consideradas pelos clubes europeus.

Uma delas é fingir que a temporada 2019/20 simplesmente não existiu. Os campeonatos nacionais e continentais começariam do zero em agosto, com os mesmos times participantes deste ano.

Essa solução, evidentemente, desagrada equipes que já são virtuais campeãs dos seus países, como Liverpool (Inglaterra) e Paris Saint-Germain (França). Para eles, uma opção mais interessante seria dar as competições como encerradas com a classificação atual delas, com a distribuição normal de títulos e vagas para os torneios europeus.

Para ninguém ser (muito) prejudicado, o rebaixamento seria abolido por um ano e os torneios de 2020/21 contariam com dois ou três clubes a mais (os que subirem da segunda divisão).

Outra opção seria resgatar um velho amigo do Campeonato Brasileiro, mas que só é usado na Europa em situações muito específicas ou em ligas de segunda grandeza: a fase final em formato de mata-mata.

Nesse cenário, as definições mais importantes da temporada (título, vagas na Champions/Liga Europa e rebaixamento) saíram de playoffs entre os times obedecendo suas classificações atuais. Essa fórmula permitiria que a temporada chegasse ao fim com um número inferior de datas.

Há ainda a hipótese de o restante da atual temporada ser simplesmente empurrado para 2020/21, o que tornaria obrigatória uma nova readequação de calendário para a temporada seguinte.

Outro entrave a essa proposta é que muitos contratos de jogadores terminam no dia 30 de junho. Ou seja, os clubes talvez tivessem de disputar suas últimas partidas com elencos bem diferentes daqueles que foram usados ao longo da temporada.

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) começou na China, mais ou menos na virada do ano, e se alastrou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) já havia registrado mais de 167 mil casos da doença em 151 países. Os mortos já haviam passado de 6.600.

Rafael Reis