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Rafael Reis


Há 100 anos, atacante do Chelsea sobreviveu à guerra e morreu em pandemia

Angus Douglas, jogador do Chelsea no início do século XX - Reprodução
Angus Douglas, jogador do Chelsea no início do século XX Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

14/03/2020 04h00

Angus Douglas foi um atacante que atuou durante 12 anos em Escócia e Inglaterra. Com passagens por Chelsea e Newcastle, sobreviveu às durezas da Primeira Guerra Mundial, mas não conseguiu resistir a uma pandemia de gripe.

O ex-atacante morreu em dezembro de 1918, aos 29 anos, vítima dos efeitos da gripe espanhola, que dizimou até 5% da população terrestre durante a segunda década do século passado.

Douglas nasceu na Escócia e passou os primeiros anos de sua carreira atuando em times locais. Em 1908, ele assinou com o Chelsea, clube pelo qual disputou quase 100 partidas e que ajudou a subir para a primeira divisão inglesa.

Após cinco temporadas em Londres, o atacante mudou de ares e se transferiu para o Newcastle. Mas, em 1915, dois anos depois de desembarcar na nova equipe, o futebol inglês foi paralisado devido à Primeira Guerra Mundial.

Durante o período do conflito, como os campeonatos foram todos paralisados, Douglas deu um tempo na carreira dos gramados e foi trabalhar em uma fábrica de munições para o exército britânico.

Já no fim da guerra, quando vislumbrava um retorno ao futebol, o escocês contraiu a temida gripe espanhola. Ele acabou morrendo exatamente um mês depois da assinatura do Armistício, que colocou fim no confronto entre as nações.

Além de Douglas, um outro personagem do cenário do futebol acabou perdendo a vida devido à doença: o técnico Dan McMichael, que foi campeão da Escócia na temporada 1902/1903 pelo Hibernian.

A gripe espanhola foi a maior crise sanitária do século passado e uma das mais agressivas de toda a história da humanidade. A pandemia durou de 1918 a 1920, atingiu cerca de 27% da população do planeta e matou entre 50 milhões e 100 milhões de indivíduos.

A doença vitimou um presidente do Brasil (Rodrigues Alves), o líder da primeira volta da edição de abertura das 500 Milhas de Indianápolis (Johnny Aitken) e o Frederick Trump, avô do atual mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump.

Várias outras autoridades contraíram o vírus, mas acabaram sobrevivendo à infecção. Fazem parte dessa lista personalidades marcantes do início do século passado, como Walt Disney, Greta Garbo, Franklin Delano Roosevelt e Franz Kafka.

Os números da atual pandemia, a do covid-19, ainda são bem menos alarmantes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia confirmado pouco mais de 132 mil casos da doença em todo o mundo e quase 5 mil mortes.

A proliferação do vírus praticamente congelou o futebol mundial. Os principais campeonatos nacionais do planeta estão suspensos, assim como a Liga dos Campeões da Europa e a Libertadores. O início das eliminatórias sul-americanas para a Copa-2022 também foi adiado.

Alguns jogadores, como os italianos Daniele Rugani (Juventus) e Manolo Gabbiadini (Sampdoria), além do inglês Callum Hudson-Odoi (Chelsea), já foram confirmados com o covid-19. O técnico espanhol Mikel Arteta, do Arsenal, também contraiu o vírus. E alguns astros do primeiro escalão do planeta, como Cristiano Ronaldo (Juventus) e Sergio Ramos (Real Madrid), estão em quarentena.

Rafael Reis