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Rafael Reis


Com orçamento de nanico, time virou potência na Itália e sonha na Champions

Jogadores da Atalanta comemoram gol no Campeonato Italiano - MCerescioli/Divulgação
Jogadores da Atalanta comemoram gol no Campeonato Italiano Imagem: MCerescioli/Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

19/02/2020 04h00

Classificação e Jogos

Ao longo de toda a temporada 2019/2020, a Atalanta deve gastar com salários algo em torno de 29 milhões de euros (R$ 136,3 milhões). O valor é menor que o orçamento de vários clubes brasileiros, corresponde a pouco mais de 10% da folha salarial da Juventus e é menos de um terço do que o Milan paga para os seus jogadores.

Mas não se engane pelos valores. Apesar das finanças modestas, o clube de Bergamo é hoje uma das principais potências do futebol italiano e não está à toa entre os 16 melhores times da Europa na temporada.

Classificada para as oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa logo em sua primeira participação no torneio, a equipe nerazzura inicia hoje o duelo com o Valencia por vaga nas quartas credenciado por um projeto de crescimento de fazer inveja a 99,9% dos clubes do Velho Continente.

Tradicional clube iôiô da Itália, a Atalanta já está em seu nono ano consecutivo na primeira divisão e, desde 2017, sempre conquista vaga para algum torneio continental. O auge dessa evolução aconteceu em 2018/2019, quando terminou o Calcio em terceiro, sua melhor classificação em toda a história.

Na atual temporada, o caçula da Champions ocupa o quarto lugar na Série A italiana e está a 12 pontos do líder. Em compensação, tem o melhor ataque da competição, com 63 gols, marca melhor que a do Barcelona no Espanhol (57) e que a do Liverpool no Inglês (61).

O gosto pelo ataque é, aliás, um dos segredos da ascensão da Atalanta. Treinado desde 2016 por Gian Piero Gasperini, um entusiasta do futebol mais plástico, o time virou referência na Itália de como é possível ter sucesso preocupando-se mais em marcar gols do que em evitá-los.

Mas a principal razão da transformação do clube do norte da Itália não está dentro de campo.

O clube possui uma das categorias de base mais férteis do país e revelou nos últimos anos vários jogadores que foram parar nos times mais tradicionais do Calcio, como Andrea Conti, Mattia Caldara e Davide Zappacosta.

Mas, mais que isso, tem um talento fora do comum para garimpar talentos que estavam por aí, mas que ninguém dava muita bola. Foi assim, por exemplo, que a Atalanta levou para Bergamo o meia-atacante argentino Papu Gómez, ex-Catania e Metalist, hoje seu capitão e principal jogador.

O atacante esloveno Josip Ilicic também não estava despertando paixões na Fiorentina, quando foi contratado, em 2017. Os laterais Hans Hateboer e Robin Gosens, o meia Marten de Roon e o zagueiro José Luís Palomino são outros nomes que só conheceram o sucesso depois que vestiram o uniforme azul e preto.

O brasileiro Rafael Tolói também mudou de status graças à ascensão do clube. Depois de uma passagem de não muito sucesso pelo São Paulo, o jogador virou um dos pilares do sistema defensivo de uma das 16 equipes que ainda sonham com o título europeu desta temporada.

Além de Atalanta x Valencia, o segundo dia das oitavas da Liga dos Campeões ainda tem o confronto entre Tottenham e RB Leipzig, na Inglaterra. Na próxima semana, serão disputados mais quatro jogos de ida da primeira rodada de mata-matas da fase final do torneio: Chelsea x Bayern de Munique, Napoli x Barcelona, Lyon x Juventus e Real Madrid x Manchester City.

A decisão da Champions 2019/2020 está marcada para o dia 30 de maio e será disputada no estádio Olímpico Atatürk, em Istambul (Turquia).

Rafael Reis