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Rafael Reis


Neymar completa 28 anos, mas continua preso à adolescência

Neymar, antes da partida contra o Montpellier, que marcou a estreia do seu novo visual - Reprodução
Neymar, antes da partida contra o Montpellier, que marcou a estreia do seu novo visual Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

05/02/2020 04h00

Classificação e Jogos

Na última sexta-feira, quando enviei meu planejamento semanal aos editores do UOL Esporte, o post de hoje era bem diferente do que está sendo efetivamente publicado. O título previsto era: "Neymar completa 28 anos e parece estar saindo da adolescência".

Mas eu estava dando um voto de confiança grande demais para o mais talentoso jogador brasileiro de futebol da última década.

Desde que a sugestão foi enviada, o camisa 10 pintou o cabelo de rosa, organizou uma festa de aniversário repleta de celebridades que desagradou o técnico do Paris Saint-Germain e se envolveu em mais uma polêmica com a arbitragem do Campeonato Francês.

É claro que Neymar (e qualquer outra pessoa) tem todo o direito do mundo de mudar de visual quantas vezes quiser e também de celebrar ao lado dos amigos e colegas de time a passagem dos anos.

Mas gastar tempo e neurônios pensando no próximo corte de cabelo e em quais cantores serão escalados para cantar na sua festança não é o comportamento que se espera de um adulto que carrega todas as ambições do seu time e de sua seleção nas costas.

Em vez de se concentrar no visual e na diversão, preocupações típicas de um adolescente, Neymar deveria estar preocupado com o confronto com o Borussia Dortmund, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, e em evoluir constantemente como jogador de futebol

Também não é o comportamento de um adulto que transborda maturidade responder às porradas dadas pelos adversários dentro de campo com dribles desconcertantes e demonstrações futebolísticas de humilhação técnica.

Neymar não deu a polêmica carretilha nos marcadores do Montpellier, no último sábado, porque aquela era a jogada mais eficaz no momento. A tentativa de drible era uma espécie de recado: "Podem bater à vontade. Na bola, vocês não são páreos para mim."

Mais adulto seria evitar o confronto. Se o clima da partida não era nada amistoso, mais negócio seria evitar ficar com a bola por muito tempo, tocar rápido para os companheiros e mostrar seu talento quando ele realmente serve para algo... na hora de fazer os gols.

Assim, o atacante brasileiro preservaria seu físico e talvez nem tivesse sofrido a lesão na costela que o tirou da partida contra o Nantes, ontem.

Também teria evitado o bate-boca com o árbitro (aparentemente mais preocupado em não transformar a partida em uma batalha de campo do que em tolher a capacidade técnica do craque do PSG) que lhe rendeu o amarelo.

O pior é que eu realmente estava acreditando que Neymar caminhava a passos largos para a vida adulta. Seus últimos meses foram excepcionais dentro de campo e bastante discretos fora das quatro linhas, como sempre deveria ser.

Mas bastaram alguns poucos dias para essa ideia cair por terra. O garoto que despontou no Santos há mais de dez anos continua sendo apenas um garoto.

P.S: Em tempo, feliz aniversário, Neymar. Que os 28 anos lhe tragam a maturidade que você ainda não tem. E que, sinceramente, já cansei de esperar.

Rafael Reis