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Rafael Reis


Coronavírus esfria mercado, afasta reforços e pode gerar debandada na China

Hulk, atacante do Shanghai SIPG, em ação durante vitória sobre o Buraram United - Xinhua/Ding Ting
Hulk, atacante do Shanghai SIPG, em ação durante vitória sobre o Buraram United Imagem: Xinhua/Ding Ting
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/02/2020 04h00Atualizada em 01/02/2020 07h23

A epidemia do novo coronavírus, que já deixou 259 mortos, teve quase 12 mil casos confirmados e colocou mais de 100 mil pessoas em observação na China, praticamente paralisou o principal mercado do futebol asiático.

Os clubes do país mais populoso do planeta - que atraiu nos últimos anos jogadores conhecidos internacionalmente, com o belga Axel Witsel, o argentino Carlos Tevez e os brasileiros Paulinho, Oscar, Renato Augusto e Hulk - pararam de contratar para a nova temporada e ainda correm risco de perder algumas das suas estrelas.

Apesar de já ter passado da metade da sua duração e de ser a principal do calendário asiático, a janela de transferências da primeira divisão da China movimentou até o momento apenas 7 milhões de euros (R$ 32,7 milhões).

A comparação com as temporadas anteriores é uma covardia. Em janeiro e fevereiro do ano passado, foram gastos 212 milhões de euros (R$ 990,6 milhões) em novos jogadores. O auge foi em 2017: 403,5 milhões de euros (R$ 1,9 bilhão) investidos em reforços.

Principais caras novas para este ano, os brasileiros Marcelo Cirino e Rômulo e o ganense Mubarak Wakaso não são tão impactantes assim e tiveram suas contratações acertadas antes da proliferação da epidemia.

Transações realmente grandes, caso da chegada do argentino Javier Pastore (ex-PSG e hoje na Roma), foram canceladas. Outros negócios, como a possível transferência do zagueiro Dedé (Cruzeiro), estão meio que congelados.

Para completar, jogadores famosos que atuaram na China nos últimos anos estão indo embora ou esperam propostas para deixar o país.

O zagueiro/volante argentino Javier Mascherano deixou o Hebei Fortune para jogar no Estudiantes (ARG). O meia-atacante belga Yannick Ferreira-Carrasco foi emprestado pelo Dalian ao Atlético de Madri.

A queda no investimento feito pelos clubes chineses já era esperada devido às novas regras impostas pela federação local. A partir desta temporada, há um teto salarial de 3 milhões de euros anuais (R$ 14 milhões), fora bônus e premiações, para novos jogadores estrangeiros que forem contratados.

Mas a crise sanitária que tomou conta do país e que preocupa o mundo inteiro amplificou muito mais esse cenário de redução nas contas.

Devido ao coronavírus, o início da primeira divisão chinesa, que estava originalmente previsto para 22 de fevereiro, foi adiado indefinidamente. O período da janela de transferências, no entanto, não foi alterado. As equipes do país têm até o próximo dia 28 para reforçar seus elencos.

O Guangzhou Evergrande, dos brasileiros Paulinho, Talisca, Fernandinho, Alan e Aloísio, e de Elkeson, que se naturalizou chinês, é a principal força do futebol local e ganhou oito dos nove últimos títulos nacionais, inclusive o do ano passado.

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Gastos da elite chinesa no mercado de começo de ano

2020 - 7 milhões de euros
2019 - 212 milhões de euros
2018 - 142 milhões de euros
2017 - 403,5 milhões de euros
2016 - 347,9 milhões de euros
2015 - 119,1 milhões de euros

Fonte: Transfermarkt

Rafael Reis