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Como possível contratação de Scarpa já coloca clube espanhol em crise

Gustavo Scarpa, durante partida contra o Corinthians, pelo Brasileiro do ano passado - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Gustavo Scarpa, durante partida contra o Corinthians, pelo Brasileiro do ano passado Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

18/01/2020 04h00

Gustavo Scarpa ainda não deixou o Palmeiras. Mas a simples possibilidade da sua transferência para o Almería já foi suficiente para fazer o clube da segunda divisão da Espanha mergulhar em uma crise institucional.

De acordo com o jornal "As", pelo menos cinco atletas do vice-líder da Série B do país campeão mundial de 2010 apresentaram ao sindicato de jogadores denúncias de assédio moral contra dirigentes do clube.

Eles alegam estarem sendo coagidos a aceitar propostas superfaturadas de transferências para equipes dos Emirados Árabes e de outras nações do Oriente Médio. O objetivo desses negócios seria arrecadar dinheiro para inflar o teto salarial do Almería e permitir assim a chegada de Scarpa e de outros reforços de peso.

O meia palmeirense é o principal nome de uma lista de contratações bombásticas prometidas pelo dono do clube, o bilionário saudita Turki Al-Sheikh, para a segunda metade da temporada.

A proposta do Almería pelo jogador de 26 anos é de 7 milhões de euros (R$ 32,5 milhões). Devido à possibilidade de transferência, Scarpa foi poupado do primeiro jogo da pré-temporada do Palmeiras, que terminou em vitória nos pênaltis sobre o Atlético Nacional na última quarta-feira (15).

Além do brasileiro, o atacante Julian Álvarez (River Plate) e o meia Matías Palacios (San Lorenzo), ambos argentinos, também fazem parte do prometido pacotão de reforços do clube para janeiro.

Só que os negócios estão todos travados porque o Almería não encontrou uma forma de concretizá-los sem ferir as rígidas regras de Fair Play Financeiro existentes na divisão de acesso da Espanha.

Segundo a rádio "Onda Cero", o clube até chegou a pedir uma revisão no valor do seu orçamento desta temporada, mas só conseguiu liberar um aumento de 1 milhão de euros (R$ 4,6 milhões).

Com a folha salarial limitada a 19 milhões de euros (R$ 88 milhões) para 2019/2020, o Almería não tem como pagar pelos reforços desejados. Por isso, a opção de inflar esse teto artificialmente denunciada pelos jogadores.

Novamente de acordo com o "As", a ideia de Al-Sheikh seria levantar até 20 milhões de euros (R$ 92,8 milhões) com a venda de jogadores para equipes do seu "círculo de influência", que topariam pagar valores acima do mercado a esses atletas, e adicionar a quantia arrecadada ao orçamento da atual temporada, permitindo assim a chegada dos reforços prometidos.

O dono do clube espanhol é um dos nomes mais fortes do futebol do Oriente Médio e preside a União das Federações Árabes de Futebol, uma organização que reúne representantes de 22 países. Até o ano passado, ele era também dono do Pyramids, do Egito.

O Almería, que está fora da elite desde 2015, iniciou a 24ª rodada com 42 pontos, três a menos que o Cádiz, que lidera a competição. Seu próximo adversário é o Extremadura, amanhã, fora de casa.

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