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Rafael Reis


Por que o Barcelona contratou um técnico que nunca ganhou um título?

Quique Setién em sua coletiva de apresentação no Barcelona - Albert Gea/Reuters
Quique Setién em sua coletiva de apresentação no Barcelona Imagem: Albert Gea/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

15/01/2020 04h00

Classificação e Jogos

"Ontem, eu estava passeando ao lado das vacas no meu povoado. Hoje, posso dizer que estou treinando os melhores jogadores do mundo". "Só posso garantir uma coisa: minha equipe vai jogar bem".

As duas frases acima, ditas por Quique Setién ontem (14), em sua coletiva de apresentação no Barcelona, contêm a chave para entender por que o clube contratou um técnico que nunca ganhou nada para substituir Ernesto Valverde.

A mudança no comando dos catalães foi oficializada na segunda, logo depois do fracasso de Lionel Messi e companhia na Supercopa da Espanha.

Desempregado desde que deixou o comando do Betis, no fim da temporada passada, Setién tem 61 anos e trabalha como treinador desde 2001. Apesar de já ter quase duas décadas de carreira, jamais conquistou um título no futebol profissional.

O mais perto que ele esteve de levantar uma taça foi em 2001/2002, sua temporada de estreia na função, quando conduziu o Racing Santander de volta à elite do futebol espanhol, mas ficou oito pontos atrás do Atlético de Madri, então campeão da segundona.

O ex-meia obteve ainda um acesso da terceira para a segunda divisão à frente do Lugo, clube que dirigiu entre 2009 e 2015. Nesse mesmo ano, estreou na elite comandando o Las Palmas.

Apesar de nunca ter levado um time a algo melhor do que a sexta colocação obtida pelo Betis em 2017/2018, Sétien rapidamente se transformou em um dos técnicos mais admirados da Espanha por ser adepto de um futebol para lá de ofensivo e baseado no controle absoluto.

É para resgatar a mágica dos tempos de Johan Cruyff e Pep Guardiola, voltar a dar espetáculo e reconquistar a paixão do seu torcedor que o Barcelona contratou um treinador que, mesmo dirigindo elencos mais enfraquecidos, terminou entre as quatro maiores posses de bola todas as temporadas do Campeonato Espanhol que disputou.

Na cabeça da diretoria culé, a falta de um currículo vencedor não é um problema. Pelo contrário, pode até ser um facilitador caso a aposta dê errado e seja preciso uma nova correção de rota rapidamente.

Setién assinou contrato até junho de 2022, mas sabe que seu nome não irá mantê-lo no cargo até lá se não entregar exatamente o que o clube deseja. Além disso, desde já, ele tem a sombra de Xavi Hernández, ídolo blaugrana que hoje trabalha no Qatar, em seu encalço.

O treinador estreia no comando do Barcelona neste domingo, contra o Granada, pela 20ª rodada do Campeonato Espanhol. A equipe catalã lidera a competição, mas tem os mesmos 40 pontos do Real Madrid e só leva vantagem no critério de saldo de gols (26 a 24).

Quique Setién - Posse de bola

2018/19 - 59,4% (2º no Campeonato Espanhol)
2017/18 - 55,9% (3º no Campeonato Espanhol)
2016/17 - 56,9% (2º no Campeonato Espanhol)
2015/16 - 53,9% (4º no Campeonato Espanhol)
Fonte: WhoScored?

Rafael Reis