Perrone

Perrone

Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
ReportagemEsporte

Por que vaquinha por dívida com Caixa não é a melhor ajuda ao Corinthians?

A ideia da Gaviões da Fiel de uma vaquinha para pagar a dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal relacionada à construção do estádio corintiano é, num primeiro olhar, puro suco de corintianismo.

É o retrato do bando de loucos que está disposto a fazer de tudo pelo Timão e que se orgulha de suas façanhas, como "invadir" o Japão no Mundial de 2012.

De acordo com relatório apresentado pela diretoria do Corinthians aos conselheiros, a dívida com o banco era de R$ 703,1 milhões em dezembro do ano passado. O débito se refere ao financiamento de R$ 400 milhões feito no BNDES, por intermédio da Caixa, para a construção da arena que hoje carrega o nome da parceira Neo Química.

Quitar um débito desse tamanho seria mais um feito colossal da Fiel. Porém, apesar de a intenção ser nobre, o projeto da Gaviões pode ser interpretado pelos dirigentes (atuais, futuros e do passado) de forma destruidora para a agremiação. Como se os torcedores falassem algo na linha: "Cartolas, não importa o tamanho da dívida que vocês façam, no final, a Fiel paga". Isso apesar de o plano ser fazer as doações diretamente para o banco.

Além disso, ao colocarem dinheiro para zerar o débito, os doadores estariam, na prática, validando despesas que eles não sabem como foram feitas. Seria como pagar a conta do restaurante sem conferir o que está sendo cobrado nela.

O recado que os dirigentes do Corinthians precisam receber é o oposto. Em vez de contarem com uma rede de apoio para cobrir seus gastos altíssimos, eles precisam saber que têm uma torcida disposta a participar mais da vida política do clube para fiscalizá-los.

Mais saudável para o Alvinegro do que a vaquinha seria uma mobilização para que milhares de torcedores comprem títulos do clube.

Uma "invasão" de sócios alheios à cultura de loteamento de cargos instalada hoje no Parque São Jorge poderia resultar em candidatos mais preparados nas eleições, em mudanças eficientes no estatuto e em melhor fiscalização.

Com um exército de corintianos que pensem mais no clube do que neles mesmos no Parque São Jorge, haveria esperança de o Corinthians entrar nos trilhos. Hoje, só há desilusão.

Continua após a publicidade

Uma mudança radical vinda de fora para dentro, promovida por corintianos verdadeiramente apaixonados, traria mais benefícios do que a vaquinha. Afinal, sem uma reestruturação séria, a dívida independente do estádio seguirá aumentando. As vaquinhas teriam que ser permanentes.

A Fiel tomar as rédeas do clube com uma associação em massa seria mais construtivo para o Corinthians e desconfortável para os que querem se aproveitar dele.

—>

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Deixe seu comentário

Só para assinantes