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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Na Bombonera, VP atinge auge de sua conexão com corintianismo

Vítor Pereira falou a língua da Fiel depois de o Corinthians eliminar o Boca Juniors - Marcelo Endelli/Getty Images
Vítor Pereira falou a língua da Fiel depois de o Corinthians eliminar o Boca Juniors Imagem: Marcelo Endelli/Getty Images
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

06/07/2022 10h25

O Corinthians conquistou a vaga para as quartas de final da Libertadores no momento em que Vítor Pereira atingiu o auge de sua conexão com o corintianismo. Fora e dentro de campo.

No início de sua trajetória no clube, o treinador chegou a mostrar em suas entrevistas falta de entendimento do espírito que move o corintiano.

Foi assim, por exemplo, quando afirmou que "se me perguntassem se queria treinar o Liverpool, com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool". Na ocasião, o português feriu o orgulho da Fiel. Depois, pediu desculpas.

Outra falta de sintonia com o que sente a torcida alvinegra foi demonstrada, na opinião deste colunista, quando VP poupou titulares contra o Palmeiras, pelo Brasileirão, e viu seu time perder por 3 a 0.

O treinador não gostou de ouvir críticos afirmarem que ele não entendeu o que é o Dérbi e o comparou com outros clássicos que já disputou.

É natural que Pereira tenha tido essa dificuldade inicial. Porém, depois da histórica vitória sobre o Boca nos pênaltis, o treinador demonstrou estar conectado com o jeito da Fiel de se relacionar com o Corinthians.

Mostrou isso na entrevista coletiva após a classificação ao afirmar, por exemplo, que foi a vitória de um grupo de jogadores que tem o espírito corintiano por saber sofrer e competir até o final. O torcedor alvinegro canta que é "maloqueiro e sofredor, graças a Deus". VP também usou dois bordões da Fiel: "contra tudo e contra todos" e "vai, Corinthians".

Em campo, a classificação coroou a adaptação de VP ao time, construída paulatinamente. Aos poucos, o português foi entendendo as limitações do elenco e modificando sua ideia inicial de acordo com o que encontrou por aqui. Aquela filosofia de sempre propor o jogo muitas vezes foi trocada pela priorização defensiva.

Foi assim na Bombonera. Segundo o "Footstats", o Corinthians não fez finalizações durante o jogo. Por sua vez, o Boca terminou a partida com 20 arremates, sendo 16 errados.

A maioria dos atletas corintianos não foi bem, na opinião deste colunista. Mas o que importa para a torcida é que eles tiveram raça, acreditaram até o final e mantiveram o Coringão na estrada da Libertadores.

O torcedor corintiano, em sua maioria, liga mais para garra do que para espetáculo. VP, hoje, parece entender isso.

Não que ele tenha aberto mão integralmente de seu estilo ou que o Corinthians será sempre defensivo. Mas ele compreendeu o mínimo que precisa fazer para agradar sua torcida. E o que os fãs alvinegros gostam de ver ajuda um treinador que sofre com as deficiências de seu elenco agravadas por uma série de lesões.

Nesse cenário, além da classificação heroica, a Fiel pode comemorar o fato de ter um treinador cada vez mais adaptado ao corintianismo.