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Perrone

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Justiça relaxa prisão de corintiano acusado de matar são-paulino

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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

24/06/2022 12h49

A Justiça determinou o relaxamento da prisão do corintiano indiciado por homicídio flagrante por conta da morte de um são-paulino em Itapevi, depois do clássico entre Corinthians e Santos, na última quarta (22).

Augusto Mesquita Piauilino foi indiciado por homicídio qualificado com base em imagens da câmera presa ao colete de um policial militar.

Porém, Renan Bohus da Costa, advogado de Piaulino e de outros torcedores corintianos, alega que seu cliente não é o agressor que aparece nas imagens.

A juíza Rachel de Castro Moreira e Silva entendeu que não houve situação de flagrante. Ela argumenta que a prisão foi feita com base em investigação posterior ao crime. Por isso, determinou o relaxamento da prisão em flagrante.

No entanto, a magistrada ressaltou que a investigação continua e pode provar que o acusado é a pessoa que aparece na imagem agredindo a vítima, identificada na decisão apenas como Daniel. A seguir, veja trecho da decisão da juíza.

"Segundo consta do auto de prisão em flagrante, 'o indiciado foi surpreendido pela Polícia Militar sobre a vítima David, desferindo socos, fato esse que foi corroborado pelas imagens da câmara acoplada ao colete do SD [soldado] PM Robson, no qual o indiciado se encontrava ajoelhado sobre o corpo da vítima, com a mão esquerda apoiada ao solo e seu cotovelo direito por vezes retraído, denotando movimentos de soco em direção à vítima, que inclusive ressaltou o indiciado estar com o dedo mindinho da mão direita quebrado, tendo ele confirmado ser destro, que pela compleição física e vestimentas, foi apontado como um dos agentes que teria dado causa à morte da vítima David, que apresentava lesões contusas na cabeça e tórax'.

Entende-se que é o caso de relaxamento da prisão, tendo em vista a ausência de estado flagrancial.

Com efeito, analisando os depoimentos prestados pelos policiais militares que atenderam a ocorrência, inclusive do SD PM Robson, verifica-se que, embora eles tenham dito ter visto cerca de 5 a 10 pessoas agredindo a vítima que veio a óbito, com utilização de barras de ferro para contundir, não conseguiram identificar os responsáveis pela agressão, tendo em vista a rapidez da ação e o grande número de pessoas envolvidas.

A identificação do custodiado como um dos autores da agressão à vítima falecida se deu pela autoridade policial com base em imagens de câmera acoplada ao colete de um dos policiais.

Assim, a autoria é imputada ao custodiado não com base em situação flagrancial, mas em medida de investigação posterior (análise de imagens de câmeras), anotando-se que, no presente momento, com base na imagem de fl. 59, isoladamente, não é possível concluir que o autor seja um dos agressores da vítima, considerando a notícia de existência de grande número de pessoas no local (50 a 60 pessoas).

Assim, sem prejuízo da continuidade das investigações, que pode culminar na confirmação de que o custodiado é a pessoa retratada nas imagens agredindo a vítima, entende-se que, como exposto, não está presente uma das situações do artigo 302 do Código de Processo Penal. Pelo exposto, relaxo a prisão em flagrante do custodiado, determinando a expedição de alvará de soltura".