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OPINIÃO

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Perrone: Rompimento entre Cruzeiro e Fábio explica como funciona uma SAF

Fábio, goleiro do Cruzeiro, lamenta gol sofrido contra o Juventude - Fernando Alves/AGIF
Fábio, goleiro do Cruzeiro, lamenta gol sofrido contra o Juventude Imagem: Fernando Alves/AGIF

06/01/2022 07h53

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A traumática saída do goleiro Fábio do Cruzeiro é didática no sentido de mostrar como devem funcionar as SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) no Brasil.

O dono do clube não disputa eleição para se manter no cargo. Não precisa do voto de associado, de conselheiro ou de sócio-torcedor para se reeleger. Assim, a pressão da torcida, em tese, tem menos influência em suas decisões ou nas de sua equipe.
O futebol brasileiro se acostumou a ver dirigentes em situação política delicada contratando ídolos do passado e agradando a torcedores e conselheiros. Muitas vezes a fórmula resultou em fracasso no campo e nas finanças.
O dono do clube não precisa recorrer a isso. Ele não depende de sua popularidade para continuar mandando.
Teoricamente, as decisões de seu estafe não levam em conta aspectos políticos. Valem quesitos técnicos e financeiros.
No caso da SAF do Cruzeiro, comandada por Ronaldo, pesou para o rompimento com Fábio uma dívida superior a R$ 10 milhões, como mostrou o UOL Esporte.
Ao não firmar contrato com o goleiro, a SAF evita vínculo com Fábio, que precisará esperar sua vez para receber o dinheiro. As dívidas da associação serão quitadas nos próximos anos, com 20% do faturamento da SAF, destinados para quitar débitos antigos.
A impressão é de que a decisão da equipe que cuida da transição para Ronaldo foi fria. Deixou a história de Fábio no clube em segundo plano e priorizou a saúde financeira da SAF. Isso machuca ídolo e torcida.
Claro que mesmo não dependendo de votos, Ronaldo terá de enfrentar a ira dos torcedores. Como ele e sua equipe de executivos reagirão a isso e quais os eventuais efeitos negativos para a SAF ainda vamos descobrir.
Por enquanto, fica a confirmação de que o dono do clube faz o que entende ser melhor sem a mesma preocupação que um presidente eleito tem em agradar diversos setores de seu entorno.
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